sexta-feira, dezembro 02, 2005

O Tempo que passou

Poema

As palavras mais nuas
as mais tristes.
As palavras mais pobes
as que vejo
sangrando na sombra e nos meus olhos.

Que alegria elas sonham, que outro dia,
para que rostos brilham?

Procurei sempre um lugar
onde não respondessem,
onde as bocas falassem num murmúrio
quase feliz,
as palavras nuas que o silêncio veste.

Se reunissem
para uma alegria nova,
que o pequenino corpo
de miséria
respirasse o ar livre,
a multidão dos pássaros escondidos,
a densidade das folhas, o silêncio
e um céu azul e fresco.

(António Ramos Rosa)


Bom dia!


1 comentário:

Ana Maria disse...

António Ramos Rosas tenho que pedir um aumento ao meu patrão, o dinheiro não chega para os livros o tempo eu arranjo, não dormo.