segunda-feira, março 20, 2017

BATESEBA

(Francesco Hayez)


Vestida de água, lavavam-lhe o corpo
Com dedos cautelosos, deixou de lado
Um vestido azul, estampado com ouro
De flores amarelas
Bateseba lavava no corpo os recantos
Mais puros de ser mulher, alheia aos dardos
De um lampejo nos olhos de David
Uma pomba
Espreguiçava a sombra e o ócio
Num ramo de acácia.

20-03-2017

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terça-feira, fevereiro 21, 2017

Antigo Cemitério Judeu de Praga


A quantidade de mortos é incerta, camadas

De tumbas sob novos túmulos. Lápides
Cuja eternidade é a pedra nos nomes
E as estrelas de David, o sol
Custa a penetrar para banhar o Não-Ser
Lápides lembram a Arca de Moisés
Mortos com séculos de morte às costas
Reclamam seu espaço sob o silêncio
As próprias árvores se ressentem da vida
As raízes atrapalham a ressurreição.

20-02-2017


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