quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Tomas Tranströmer


17 DIKTER (POEMAS)

Tradução para o espanhol

1.
Paredes de penas:
Pombas vão e vêm...
não têm rostos.

2.
Os pensamentos
na calma dos mosaicos
no palácio.

3.
De pé na varanda,
essa jaula de sol:
como um arco-íris.
(Trad. J.T.Parreira)


segunda-feira, fevereiro 25, 2008

domingo, fevereiro 24, 2008

Sozinho Todavia Muitos


Se pudesse eleger uma solidão
elegeria, a solidão
de uma cidade, de Lisboa
às primeiras horas matinais
uma arcada ainda cinzenta
mesas encerradas
de pé sobre a cinza
dos cigarros, a névoa
sobre o Tejo
sozinho todavia muitos
elegeria da solidão
Pessoa a sentar-se à mesa
a escrever Tejo como
um rio de ode
a falar com o eco
da sua voz nos outros.
22/2/2008

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Di Versos – Poesia e Tradução.




Saiu já o n.º 12 da revista Di Versos – Poesia e Tradução. A revista é coordenada por Jorge Vilhena Mesquita e José Carlos Marques. Neste número poderão encontrar poemas de António José Borges, António Salvado, Avelino de Sousa, César Vallejo e Juan Ramón Jiménez (traduzidos por Nicolau Saião), Claudio Rodríguez e Ricardo Paseyro (traduzidos por António Salvado), Cláudio Willer, Cristino Cortes, Dante (traduzido por Avelino de Sousa), e. e. cummings e Seamus Heaney (traduzidos por João Tomaz Parreira), Giannis Ritsos e René Char (traduzidos por José Carlos Marques), João Miguel Henriques, J. T. Parreira, Nicolau Saião, Rafael Rocha Daud, Rui Tinoco e Tomas Tranströmer (traduzido por José Carlos Marques, Anna Olsson e Sérgio Lopes).

Pedidos pelo telefax 229759592 e/ou contacto@sempreempe.pt

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Madrugadas

Levanta-se na ponta da cidade
depois por ela corre
primeiro os becos, que visita
por cima, abrindo a luz
nos rectângulos das janelas
há uma viela
logo ali que volta a acordar
as cercas dos quintais
o guardam
O sol entre silêncios e espasmos
das portas que se abrem
inunda depois as avenidas
desde as frestas às grandes
varandas de cristal.

19/2/2008

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

El poeta es un fingidor


Todas las cartas de amor son
ridículas.

No serían cartas de amor si no fuesen
ridículas.

También escribi en mis tiempos cartas de amor,
como las demás,
ridículas.

Las cartas de amor, si hay amor,
tienen que ser
ridículas.

Pero, al final,
sólo las criaturas que nunca han escrito
cartas de amor
son las que son
ridículas.

(Álvaro de Campos)

domingo, fevereiro 10, 2008

Nº 1 da revista literária Abrelatas


Lançamento da Revista Abrelatas.

A edição número 01, contém textos dos seguintes autores: Adriano Esturilho, Ana Guimarães, Andrei Vasquez (México), Andréia Donadon Leal, Antonio Carlos Floriano, Beatriz Bajo, Benjamin Marchi, Candido Rolim, Carlos Emilio C Lima, Claudinei Damasceno Romão, Cláudio B Carlos, Eduardo Lacerda, Fabrício Marques, Fernando Aguiar, Geruza Zelnys,Giovana Bonifácio, J T Parreira (Portugal), James W Holloway, Jocelyn Pantoja (México), Joel Flores (México), Juan Fiorini, Karen Villeda (México), Leonardo Meimes,Luis Serguilha (Portugal), Mario Mariones, Me Morte, Nelson Marzullo Tangerini, Raimundo de Souza, Raul Koliev, Ricardo Araújo, Rogério Santos e Thiago Ponce de Moraes.

sábado, fevereiro 09, 2008

Aniversário


Quando fizer 61 envia-me
um postal roubado
num impulso adolescente

da mesma papelaria
que já não existe ninguém
dá por nada

um postal com música
frágil como todas as asas
de libélula

escrito com palavras
debruçadas para fora
a sairem das margens

manda-me um postal
com o teu cheiro
abrindo caminho entre as outras
cartas banais

um postal roubado às cores
dos lírios de um jardim nas dunas.

8-2-2008

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Poema 24

LE FEU QUI DORT, Mário Dionísio

24

Falar a uma pedra que nos olha sem nos ver
Tocar a pele de um vidro que sem saber deslumbra
apalpar a suave terra que do seu poder não sabe nada
Cantar uma ária d’amor num céu oco que a repete
sem a escutar nem comover-se

Procurar o sorriso terno da lâmina

Andar sempre andar sempre esperar
o que não nasce nem surge apenas do acaso
do calor que flutua pela casa na procela

Conhecer
o fundo sem fim dos velhos espelhos

(Trad.J.T.Parreira)

Paulo Freire, Poeta da Educação


Paulo Freire, Marx e Cristo, para ou-ver aqui, no Ovelha Perdida

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Sylvia Plath

Blockquote
Sylvia Plath, publicado aqui também.

Alta Velocidade

(Já em 1992( data da foto) tínhamos.)

CANÇÃO DA PARADA DO LUCAS

Parada do Lucas
-O trem não parou.

Ah, se o trem parasse
minha alma incendiada
Pediria à Noite
Dois seios intactos.

Parada do Lucas.
-O trem não parou.

Ah, se o trem parasse
Eu iria aos mangues
Dormir na escureza
Das águas defuntas.

Parada do Lucas.
-O trem não parou.

Nada aconteceu
Senão a lembrança
Do crime espantoso
Que o tempo engoliu.

(Manuel Bandeira)

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Literary Kicks

Action Poetry is in effect.

For On the Waterfront by JTParreira

Há Lodo no Cais



Nos últimos anos procurei ver
Há Lodo no Cais
o audível Brando
com olhos deprimidos a vaguear
na face
a sua elegia contra a Máfia
Contudo realmente eu queria ouvir
acerca de Joey
Joey que costumava treinar pombos
mas caiu do telhado.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Rapariga com brinco de pérola


Vermeer toca na luz
onde põe um brinco de pérola
a carne virgem pálida
da face teve o leite da aurora
exposta em Delft
à janela
os seus lábios
entreabrem o carmim
a rosa do silêncio.

2/2/2008

Poema do Poema do Bandeira

Diz o Manuel Bandeira
em poema bem gizado
que um tal João Gostoso
"bebeu
cantou
dançou
depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas
e morreu afogado"

E que belo lugar para um filho do Rio
morrer afogado
sem frio
direi eu
em especial depois de
beber
cantar
dançar
nada mais pode ser perigoso
sentiu o João Gostoso.

(Brissos Lino)

sábado, fevereiro 02, 2008

Tradução para Turco

Mevsimsiz Forum >

STAYNVEY & OĞULLARI
Joao Tomaz Parreira (1947-)

Üç bacağı Staynvey’in
yerin üstündeki damarların içersinde
kuşlardan bir senfoniyi havaya kaldırır

zarif bacakları
Staynvey’in
bir kadın gibi

dinlediğimiz
aheste beste
siyah elbisesinin içersinde.

(Çeviren: Vehbi Taşar)


STEINWAY & SONS
by Joao Tomaz Parreira (1947-)

Three legs of the Steinway
raise a symphony of birds
in the veins above of the floor

the elegant legs
of the Steinway
as a woman

whom we listened
slowly
in its black dress.