terça-feira, novembro 22, 2005

Adélia Prado -Uma Poesia Social e do Quotidiano

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como «este foi difícil»
«prateou no ar dando rabanadas»
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos pela primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

(Adélia Prado )


Boa tarde!

2 comentários:

Ana Maria disse...

Que lindo texto, muito fresco na madrugada de pesca.
eu tambem gosto de amanhar o peixinho e claro gosto de o fazer sozinha.
abraço amigo João.

Maria do Céu Costa disse...

Uma boa selecção a desta Poeta brasileira. Conheço bem a sua obra. Beijinhos.