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segunda-feira, outubro 23, 2017

UM VELHO E O VENTO



Ao longe. Não tão longe que o vento não possa
Trazer até mim nos seus lábios uma flauta, sinto
Que alguém canta, o silêncio de alguém
Que se contenta em cantar
Ao longe talvez sob uma ponte, numa estação
De comboios a limpar a noite dos seus olhos
Ou à beira do rio a ouvir a realidade das águas
Alguém que tacteia no rosto beijos infinitos
Que perdeu, que desenrola nos dedos
Os fios invisíveis que sobram de um rosto amado
Ao longe, onde tudo está perdido.

23/10/2017

©

sexta-feira, agosto 04, 2017

NEM SEMPRE ESTRANGEIRO



“Sou peregrino na terra”
Salmo 119

“Heureux qui, comme Ulysse, a fait un beau voyage”
Joachim du Bellay


Agora caminho para o lado
Mais previsível da vida, quase tudo
Está concluído com a idade
Pegadas no caminho desde mil
novecentos e quarenta e sete
Quando Abril abria fendas para as torrentes
Primaveris, agora caminho como um viajante
Estético com os olhos em tudo, desde o homem
Aos animais de estimação, vou na rota
De um grande silêncio. A minha bagagem
Não me seguirá, feliz é aquele que sem velo
Nem riqueza como Ulisses
Faz a sua viagem de regresso a casa.


04/08/2017

©

terça-feira, maio 10, 2016

FILHO (CHILD) - Poema de Sylvia Plath



Sylvia Plath  (Estados Unidos, 1932-1963)


O teu olho claro é uma coisa absolutamente bela.
Eu quero enche-lo com patos e cores,
Um zoo de novidades

Em cujos nomes reflectes ---
Campânulas de Abril, flores de cacto,
Pequenas

Hastes sem rugas,
Charco em que as imagens
Sejam grandes e clássicas

Não este turbulento
Retorcer  das mãos, este escuro
Tecto sem uma estrela.


© Versão de J.T.Parreira