quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Basil Bunting (1900-1985)

O poeta em Rapallo, Italia, na casa de Ezra Pound, em 1930


On the Fly-Leaf of Pound's Cantos

There are the Alps. What is there to say about them?
They don't make sense. Fatal glaciers, crags cranks climb,
jumbled boulder and weed, pasture and boulder, scree,
et l'on entend, maybe, le refrain joyeux et leger.
Who knows what the ice will have scraped on the rock it is smoothing?

There they are, you will have to go a long way round
if you want to avoid them.
It takes some getting used to. There are the Alps,
fools! sit down and wait for them to crumble!

(Basil Bunting)

Folha em branco no início dos Cantos de Ezra Pound

Lá estão os Alpes. O que dizer sobre eles?
Não fazem sentido. Gelos mortais, penhascos em risco,
calhaus e ervas daninhas, pasto e calhaus, cascalho,
e alguém que entende, talvez, o refrão alegre e ligeiro.
Quem sabe o que o gelo terá raspado na rocha que amacia?

Lá estão eles, vão pelo caminho mais longo
se quiserem evitá-los.
É preciso habituarem-se. Lá estão os Alpes,
imbecis! sentem-se e esperem que eles se desfaçam.

(Tradução: J.T.Parreira)

5 comentários:

virna disse...

muito interessante o poema do basil bunting, joão. ótima escolha.
um abraço

Ana Maria disse...

gostei obrigado pela tradução!

hfm disse...

Gostei muito de ler.

Maria Costa disse...

Gostei de ler mais esta tradução.

Beijinhos.

nelson disse...

Eis uma tradução do poema que publiquei aqui no Brasil uns 10 anos atras. Talvez seja do seu interesse.
Nelson Ascher/São Paulo

NA PÁGINA-GUARDA DOS CANTOS DE POUND


Eis os Alpes. Que se pode dizer deles?
Não têm cabimento. Geleiras fatais, penhascos que loucos escalam,
escarpa e cizânia mescladas, pastagem e escarpa, cascalho,
et l'on entend, talvez, le refrain joyeux et leger.
Quem sabe o que o gelo que aplaina gravou no rochedo?

Ei-los, quem quiser evitá-los terá
que dar uma volta e tanto.
É uma questão de acostumar-se. Eis os Alpes,
imbecis! Esperem sentados que eles desabem!