segunda-feira, julho 17, 2006

Das teclas tristes da máquina de escrever

Vagabundos

A planta dos pés na terra, um passo
atrás do outro, os olhos
humilhados onde passam
conhecem só
o calor húmido do chão
e as formas de uma nuvem
que o ímpeto das águas
rompe de repente
Hoje como ontem
o sol sobre os ombros
um dia após o outro
ligados ao fundo
por estrelas
nos celestes caminhos
A noite vem deitar os corpos
nos sonhos aguardados
no coração dos andarilhos
com paciência, a treva
que vem voando cega.

4 comentários:

hfm disse...

Como me toca este Andarilhos onde me reconheço.

Ana Ramalho disse...

As palavras são uma matéria prima fantástica que Deus nos deu para expressarmos sentimentos, pensamentos e emoções.

É a minha primeira visita a este blog... os meus parabéns pelo poema, o blog e o seu exemplo como articulista e poeta.

Deus o abençoe

Ana Ramalho

João Pedro disse...

soneto dos vagabundos (estudo)

foi deus quem no último dia
sentou cansado nas heras da criação,
vendo que era paisagem sua vocação,
fez de tudo calmaria.

como um velho experiente,
que com tempo ganha sabedoria e paz,
percebeu que só perderá quem tudo faz
e ganhará quem nada sente.

então eu pobre mortal,
quem sou eu para questionar
o nosso grande senhor

e inventar de trabalhar,
ignorando o descanso
que o nosso senhor fez santo?

folhasdemim disse...

Excelente!
Beijos, Betty