terça-feira, dezembro 15, 2009

Menina


Leste de Angola, 1969


Ah quanto tempo parou
nesses teus olhos o branco
e o negro
de umas asas que não sei
aonde voam
Pomba imaculada
sentada no chão
Velam o sonho
que faz companhia
ao redemoinho dos anjos
Velam o sono com as mãos
Tocará ainda o coração
cheio de manhãs?
Ou a morte veio e roubou
o fundo
dos teus olhos?

13/12/2009

3 comentários:

rui miguel duarte disse...

Cada poema, nova pérola, pelo que extrais da imagem e pelo voo da fantasia que só a tem como pretexto, pelas dialéctica perguntas que suscita, pelo "coração cheio de manhãs", tropo metonímico que fala de esperança. Pelo todo

maria manuel disse...

belo poema, a retratar a realidade das crianças de olhares parados, talvez perdidos os corações, os sentidos de vida, a cada amanhecer...

hfm disse...

Sempre a sensibilidade em cada palavra, em cada imagem.