terça-feira, junho 06, 2006

Poema de Basil Bunting


O que disse o presidente a Tom

Poesia? É um passatempo.
Eu brinco com miniaturas.
Mr. Shaw cria pombos.

Não é um trabalho. Você não sua
a camisola. E não recebe por isso.
Você poderia anunciar sabão.

A ópera, isso é arte! ou a opereta-
A Canção do Deserto.
Nancy estava no côro.

Mas pedir doze libras por semana-
casado, não é?-
você tem coragem.

Como poderia olhar a cara
de um cobrador de autocarro
se lhe pagasse doze libras?

De resto, quem diz que isso é poesia?
Meu filho de dez anos
pode fazer uma, e rimar.

Eu ganho três mil e as despesas,
carro, planos de reforma,
mas eu sou director financeiro.

Eles fazem o que eu mando,
na minha empresa.
E você, o que faz ?

Palavrõezinhos, palavrões,
é doentio.
Lavo-me quando encontro um poeta.

Eles são Comunas, viciosos,
todos deliquentes.
O que você escreve é disparate.

Assim diz o senhor Hines, e ele é professor,
tem obrigação de saber.
Vá mas é arranjar trabalho.

(Tradução: J.T.Parreira)

2 comentários:

Celso disse...

Gostei, Parreira. Desconhecia, mas gostei de ler.

sds

Adrián de Limes disse...

Como tenho preguiça, quando quero conhecer a obra de um poeta de outra língua, às vezes procuro uma tradução. Não li o original, mas foi um grande achado para mim. Agora, que influenciou quem - Pound a Bunting ou Bunting a Pound?

Obrigado pela tradução

Adriano Lima, Brasil, poetargs@bol.com.br