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sexta-feira, março 15, 2013

A GRAVE OF SYLVIA PLATH






Um rectângulo onde gerações de gerânios
e de olhos
têm chorado, um terreno de poesia
onde flores douradas, devagar

serão plantadas e as nuvens
passam no vidro gelado do céu
Um nome de pedra num rectângulo frio.

14/3/2013
©

sexta-feira, setembro 14, 2012

Do que quer falar o poeta



Por vezes da alegria. Num dia triste
que começa a quebrar-se
com as vozes aos pulos, contentes
das crianças. Tantas vezes
do mar, não exactamente do mar que se vê
mas daquele que banha de lume turquesa
as ilhas mais distantes
Outras vezes da morte, não explícita
mas dos cristais que se partem nos olhos
de quem morre
Quase sempre a encher-se de silêncio
para encontrar uma palavra, aquela
mesma, pequenina, amedrontada
caída da árvore
no meio de palavras enormes.

13/9/2012

quinta-feira, março 22, 2012

Poema de Gregory Corso



AOS 25 ANOS


Com um amor e uma loucura por Shelley
Chatterton Rimbaud
o lamento imprudente da minha juventude
foi de ouvido em ouvido:
EU ODEIO OS POETAS VELHOS!
Especialmente aqueles que se desdizem
que consultam outros poetas velhos
que recordam sua mocidade em suspiros,
e dizem: eu escrevi alguns desses
mas isso foi dantes
foi dantes -
Ah eu gostaria de acalmar os velhos
dizendo-lhes: - Sou vosso amigo
o que alguma vez fostes, através de mim
voltareis a ser -
Então uma noite, quando me confiassem suas casas
rasgaria as desculpas da sua língua
e roubaria seus poemas.

in Gasoline
 
(Trad. J.T.Parreira)

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Um gato num apartamento vazio


 Wislawa Szymborska
Morrer - isso não se faz a um gato.
Porque o que pode fazer um gato
num apartamento vazio.
Escalar paredes.
Afagar-se contra os móveis.
Parece que aqui nada mudou
contudo, as coisas estão diferentes
Que nada se moveu,
mas está tudo misturado.
E aquela lâmpada durante a noite já não arde.

Ouvem-se passos na escada,
todavia não são esses.
A mão que coloca o peixe no prato
não é já a mesma mão.

Há aqui alguma coisa que não começa
à hora do costume.
Há algo que não acontece
como deveria.
Alguém esteve aqui e esteve
e de repente desapareceu
e agora é um ausente obstinado.

 Foram revistos todos os armários
e todas as prateleiras percorridas.
Não resultou deslizar sob o tapete.
Mesmo a regra de não espalhar papéis foi violada.

Que mais se pode fazer?
Dormir e esperar.

Deixá-lo regressar,
ou pelo menos que se mostre.
Vai aprender
que não se pode tratar assim um gato.
Irá em direcção a ele fingindo relutância,
devagar,
sobre as patas ofendidas.
Sem saltar nem ronronar à primeira.

Trad. do inglês J.T.Parreira

sábado, janeiro 07, 2012

Ezra Pound sentado em Veneza




“Um poeta está sentado na Holanda”
Herberto Helder


Embora pese a ondulação da água
do Canal Central, o poeta procura
no silêncio do bolso ruído de moedas
um papel
atravessado por palavras, um calor
para as suas velhas mãos? À sua volta
ignoram-no os olhares.  E.P.
está sentado com o rosto em pregas
em Veneza, gôndolas atravessam
as sombras dos palácios
e as casas se inclinam para o fundo
e estão fixas
no manejar das águas.

6/1/2012

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Lado Oriental com peixes amarelos no tanque

Bashô olha a lua
cerzida num pano de água
o luar adormece o abismo
escande com a mão cinco versos
depois sete, por fim cinco
o lago com nenúfares parece
um crepúsculo iluminado
lâmpadas abrindo
Enquanto as nuvens vão e vêm
descansando os olhos
dos espectadores da lua.

13/12/2011

quinta-feira, outubro 20, 2011

Encontro de poetas no Rio de Janeiro

Os poetas Rui Miguel Duarte e Sammis Reachers, encontraram-se no Rio de Janeiro, e trocaram livros, que levavam na bagagem, um desses livros é do autor deste blog. Ler Aqui.