A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
Mostrar mensagens com a etiqueta política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta política. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, maio 16, 2012
OS COMENTADORES
Deixem Atenas respirar
à borda do Egeu
o ar de vidro transparente
e claro que corre do Egeu
Deixem que goze as sombras brancas
no sol das suas casas claras
poderíamos deixar a Grécia em paz
Que falta faz Platão
para verter grinaldas nas cabeças
dos homens e mulheres
que sabem tanto sobre os gregos
como dormem, comem, gastam
o seu corpo no amor, gastam
o que é nosso – dizem eles
Platão mandá-los-á para fora da cidade
entregues à mimésis uns dos outros.
sábado, abril 14, 2012
Tróicas, com um inédito de Brissos Lino
OS NOVOS VAMPIROS
Os antigos atacavam em bandos
pela calada da noite
estes atacam ao meio-dia
em directo na televisão
com um sorriso tímido nos lábios
e um olhar compungido
de mãos postas
como se tivessem dó
das vítimas
e sem nunca sujar o fato caro
nem a gravata fina.
11/4/12
Brissos Lino
TRÓICA (i)
É um tridente
que nos dói aqui.
TRÓICA (ii)
Eles são muitos
eu pouco.
11/4/2012
sexta-feira, abril 13, 2012
ISTO É UM POEMA?
Diz-se por aí que o Süddeutsche Zeitung (literalmente, Jornal do sul da Alemanha) publicou o mais novo poema de Günther Grass, “Was gesagt werden muss” ("O que deve ser dito"). Neste, Grass critica Israel por seu poderio ...nuclear e pelas ameaças de ataque ao Irão.
É explícito que GG critica Israel, não é assim tão certo, tecnicamente, que se trate de um poema; a não ser que qualquer pedaço de prosa de um Nobel da Literatura, com mais ou menos prosódia, com mais ou menos (no caso, nenhuma) prosopopeia, seja considerado universalmente um poema. Este não é.
A narrativa que aqui temos não é poética, é política.
Obedece a um estilo próprio do autor, é justo referi-lo, no que concerne ao uso de poesia ou prosas poéticas intercaladas nos seus romances. Também ao modo poiético com que o romancista alemão sempre abordou a sua poesia, com poemas datados no sentido do "ano político". GG afirmou-se um dia como "poeta de circunstâncias".
Seja como for, o alegado “poema” do Nobel Gunter Grass, autor dos celebrados e incontornáveis romances “O Tambor” e “O Cão de Hitler”, pelo menos, não suporia vir a ter enquanto artefacto literário, pelo lado da poiética e da ars poetica, qualquer menção especial que não fosse a de puro panfletarismo.
Panfleto prosaico em forma de poema. E deixando correr um rio subterrâneo que leva as águas carregadas de urânio ao moinho do Irão. É o que se lê neste pedaço de prosa, que nem prosa poética é:
“É o suposto direito a um ataque preventivo,
que poderá exterminar o povo iraniano,
conduzido ao júbilo
e organizado por um fanfarrão,
porque na sua jurisdição se suspeita.
do fabrico de uma bomba atômica.”
O autor de “Descascando as cebolas” (uma auto-biografia que também foi polémica), usa o direito inalienável, concordo, da velhice, da idade, para dizer o que, segundo ele, ainda não foi dito:
“Por que motivo só agora digo,
já velho e com a minha última tinta,
que Israel, potência nuclear, coloca em perigo
uma paz mundial já de si frágil?”
À sua própria pergunta, Gunter Grass simultaneamente responde-se numa quase tautologia:
“que Israel, potência nuclear, coloca em perigo
uma paz mundial já de si frágil”
O autor de “O Cão de Hitler”, soberbo romance de tom surrealista que desenvolve a crítica ao período nacional -socialista da Alemanha, vai compondo o seu texto dito poema como se se tratasse de um comunicado de imprensa ou uma peça jornalística, nos quais dirige o leitor para a conclusão prévia sobre a inocência do Irão:
“Agora, contudo, porque o meu país,
acusado uma e outra vez, rotineiramente,
de crimes muito próprios,
sem quaisquer precedentes,
vai entregar a Israel outro submarino
cuja especialidade é dirigir ogivas aniquiladoras
para onde não ficou provada
a existência de uma única bomba, “
Poderíamos continuar, mas basta que se leia o “poema”. E não temos poesia, nem na parte em que se manifesta a garantia de amizade e de união fervorosa ou mística com o “ país de Israel, ao qual estou unido / e quero continuar a estar", nem naquela em que obviamente concordamos : “ da hipocrisia do Ocidente".
Melhor teria sido o próprio autor chamar a este texto o manifesto do romancista Prémio Nobel Gunter Grass. No entanto, é justo dizê-lo, que Grass é poeta e poeta do célebre Grupo 47.
Basta ler poemas, de outro tempo, cujo tom e discurso poemático expressionista tardio, porém afastado da dureza original desse Movimento dos anos 20 alemães, surrealista também, nos interpelam ainda hoje e interpelaram com certeza os alemães desse tempo. O livro “As vantagens das galinhas de vento” (título traduzido do volume em castelhano), de 1956, é paradigmático do que dissemos.
Um poema extraordinário basta, pela sua acutilância, ironia e brevidade comovedora:
Asuntos de Família/ Familiär
En nuestro museo – vamos todos los domingos -,
han inaugurado una sección nueva.
Nuestros hijos abortados, embriones pálidos y serios,
se acurrucan en simples tarros de cristal,
preocupados por el futuro de sus padres.
(Versão em castelhano da obra “Poemas”, Colección Visor de Poesía, Alfaguara, Madrid, 1994)
Assuntos de Família
No nosso museu - vamos todos os domingos-,
inauguraram uma nova secção.
Nossos filhos abortados, embriões pálidos e sérios,
encolhidos em redomas de cristal,
preocupados com o futuro dos seus pais.
(Trad. do alemão e espanhol, por J.T.Parreira)
sábado, novembro 28, 2009
El fin de la poesia: Babelia
El fin de la poesía
Historia y complicaciones de la guerrilla desde 1950 al siglo XXI.
Ler no El País, no Babelia
Historia y complicaciones de la guerrilla desde 1950 al siglo XXI.
Ler no El País, no Babelia
sexta-feira, setembro 04, 2009
Proletariado
O pai é um homem revoltadoQuando chega a casa apanhamos
sempre os cacos do partido
que tem razões que Marx desconhece
O pai é um homem
centrado nos mapas
das revoluções
Está perdido
como as cores que caem
dos retratos de Guevara .
22/8/2009
Publicado como inédito em A Ovelha Perdida e transcrito em Samucablog
domingo, agosto 09, 2009
Ode para uns amigos judeus
segunda-feira, julho 27, 2009
A Primeira Guerra
Publicado ineditamente Aqui, pela mão do poeta Brissos Lino, meu amigo
Deitar tudo fora, espingarda
baioneta, granadas, a faca
dissimulada na cintura
Despir a farda, ficar ao vento
com o luar pelos ombros,
no cabelo.
Com o mesmo medo,
a mesma nudez da morte.
Seremos apenas homens.
Deitar tudo fora, espingarda
baioneta, granadas, a faca
dissimulada na cintura
Despir a farda, ficar ao vento
com o luar pelos ombros,
no cabelo.
Com o mesmo medo,
a mesma nudez da morte.
Seremos apenas homens.
sábado, janeiro 31, 2009
O poeta no desemprego
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Novo poema da América

*Mapa das estradas de 1961
Para Barack Obama
«América dei-te tudo e agora não sou nada.
América quando serás tu angélica?»
Allen Ginsberg
Mas fica a saber América-
O chão moveu-se debaixo
dos nossos pés, um sismo
de vozes ancestrais turbilhonou
placas teutónicas suavemente
juntaram as nações, as distâncias
emendaram corações próximos
para a ternura, América
fica a saber – o sol vai brilhar
de novo nos quatro cantos do mundo
América, vai ser outra coisa.
terça-feira, dezembro 16, 2008
Colored
quarta-feira, novembro 05, 2008
A América muda de pele.


"Barack Obama nosso próximo Presidente"- afirma o Chicago Tribune.
Em 1961, a América mudou de rosto, com John Kennedy; hoje muda de pele com Obama, está a caminho de se tornar Bela, mas ainda falta muito para, como desejava Allen Ginsberg, poder entrar no supermercado e comprar tudo o que precisa com a sua beleza.
quinta-feira, maio 01, 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)






