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quinta-feira, maio 07, 2015

FELIS CATUS LUDENS



Põe o mesmo ardor para brincar
com o rato e com a folha de prata”

György Somlyó (Hungria, 1920-2006)



Em busca da felicidade da caça, o gato
Brinca com o papel de prata, o brilho
Apela nele instintos de beleza, como
Brinca com a mosca, é um ritual
De existência,  dar movimento a tudo
Mesmo com leves toques
O que está parado move-se.

Um frasco pode partir o perfume interior
Em mil asas pela casa, de cima da mesa
A maçã rola imprudente para o chão,
Um sofá muda de aspecto e mostra-se
Na sua nudez por dentro,
Os gatos repetem tudo,  podem repetir
Até sete vezes a vida.

07-05-2015

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sexta-feira, fevereiro 21, 2014

AS COISAS PASSAM-SE ASSIM



Nada muda para um gato, as coisas
são dias iguais, mas percebe
pelos passos do amigo, pelas mãos
mais rápidas do que o ar,
ou cheias de sacos de viagem
que alguma coisa não está bem,
que vai sair e depois que a alta sombra
do amigo em casa desabou, porque faltam
uns joelhos onde se sentar, a mão
a segurar o gin tónico na varanda
e os joelhos onde andarão?
A nossa solidão faz falta ao gato,
é uma sombra dele mesmo
quando passa orgulhoso por nós
e nos ignora e adormece
onde nada mudou.

13/8/2013
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