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quarta-feira, dezembro 09, 2015

PARIS AT NIGHT, LONELY WOMAN WAITING






Os anjos têm esquinas onde encostam as asas e o silêncio
da sua solidão. São anjos que esperam
 quem possa levar o seu corpo, e o seu coração
sozinho é uma sombra dentro do peito.
Anjos que não recusam as suas asas, o sonho de um dia
que virá e serão alegres como o ser feliz, quem disse
que os anjos não têm esquinas na noite
com a escuridão iluminada.

09-12-2015
©  


(Arte: Fotografia de Adolfo Kaminsky, 1946)

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Desconstrução


Ferro, aço, vigas e betão
vidro, madeira
torre de babel
à maneira
alta abóbada de novo mestre
Afonso Domingos
desconstruindo o sagrado
em nome de um deus
mas não dos antigos
para bênção dos novos crentes
do consumo.

14/2/11

Inédito de Brissos Lino

(foto de Susete Lino)

segunda-feira, janeiro 10, 2011

O Beijo no Bosque

Fecharam os olhos
os duendes do bosque, o beijo
floriu nos arbustos, nos ramos
do sol, no perfume do vento
crepitou nos lábios
um segredo profundo
lançando raízes
o incêndio no bosque
fecharam os olhos
esquilos e aves
recuperam o canto
à volta do lume.

8-1-2011

segunda-feira, abril 12, 2010

As ovelhas de Wales

Repousam as bocas na erva
parece um segredo
aos ouvidos da terra
as ovelhas de Wales conhecem
o veludo verde
que estão a respirar
onde o vento deposita
o cheiro
íntimo do mar.

11/4/2010
(fotografia de Jónatas Moutinho)

quarta-feira, março 04, 2009

O Grupo Poético de Aveiro e José Régio

Parte do GPA, sob os olhares da máquina fotográfica e do Régio. Alguns intérpretes e poetas, Rosa Maria Oliveira, Aida Viegas, Orlando Figueiredo e o editor do Poeta Salutor.

domingo, novembro 30, 2008

sábado, maio 10, 2008

Um poema de Juan Larrea

Os poetas Vicente Huidobro e Juan Larrea
T.S.F.
Nas antenas
Caem os bandos de mensagens
E ouço o pio pio dos pássaros tristes

Na noite infinita dos auriculares
Brilha a débil voz das estrelas passageiras

O apito de um comboio fugitivo
Longinquamente
Se despede

América
Assobia em inglês um banjo (*)
Uma voz me chama das estrelas

Eu só ouço a voz da minha estrela

Nos ares
As pombas prendem as asas
Nos cabos invisíveis.
(*)Na versão original, surge o termo Cake Walk, uma dança antiga dos escravos negros norte-americanos. Optamos por uma metonímia que também sugere o ragtime.
(Trad. J.T.Parreira)

terça-feira, abril 29, 2008

Solitude


Poema de um homem sozinho

Queria um anjo como esse que enviaste
com as pernas flexíveis
como os juncos no Jaboque
nossos riscos no ar e na água
seriam a dança sobre a música
da torrente
Estou só com o peso dos retalhos
da minha memória, sozinho
apenas acompanhado de dois olhos
e um coração apressado
É noite, mas o medo não
resolveria nada, sequer
acrescentaria um palmo
à minha sombra
Só na luta plena o nome
muda, o nome
novo se alcança
Enfim a manhã virá
rompendo
o novelo do sol
Estou sozinho, em pé
mas fincado na terra
como a lança.
7-5-2005