A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
quinta-feira, setembro 11, 2008
quarta-feira, setembro 10, 2008
Porto de Ponta Delgada
(Infância em 1957)
Na data da chegada dos navios
a saudade
voava no cordame
atava o movimento
do navio à pedra lavrada
de silêncios
no cais cheio de olhos
pousado no oceano
no meio do vozeario
só a espuma, sozinha
vai e vem, e branqueia
os limos e os sonhos
Depois tudo ficava
de novo imerso nas ausências.
8/2008
Na data da chegada dos navios
a saudade
voava no cordame
atava o movimento
do navio à pedra lavrada
de silêncios
no cais cheio de olhos
pousado no oceano
no meio do vozeario
só a espuma, sozinha
vai e vem, e branqueia
os limos e os sonhos
Depois tudo ficava
de novo imerso nas ausências.
8/2008
sábado, setembro 06, 2008
Intratextualidades
A consideração do poema na confissão de Andrade:
Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporaram
Ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus Maiakóvski.
(Carlos Drummond de Andrade)
Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporaram
Ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus Maiakóvski.
(Carlos Drummond de Andrade)
quarta-feira, setembro 03, 2008
Vilegiatura (I) e (II)
Não posso esquecer.
Um dia me mostraste
as ondas, rajadas de mar
que seca na praia.
14/8/2005
Chegam em revoadas as brumas
a aldeia encerra os rostos
das janelas, fecham os cordeiros
dentro da boca os seus balidos
O dia revê-se nos espelhos
quando chega a noite
quando os olhos se recolhem
de todos os sentidos
É o vento que cerca o lume
nas candeias, mas só as adormece
a infinita mão.
24/7/2005
Um dia me mostraste
as ondas, rajadas de mar
que seca na praia.
14/8/2005
Chegam em revoadas as brumas
a aldeia encerra os rostos
das janelas, fecham os cordeiros
dentro da boca os seus balidos
O dia revê-se nos espelhos
quando chega a noite
quando os olhos se recolhem
de todos os sentidos
É o vento que cerca o lume
nas candeias, mas só as adormece
a infinita mão.
24/7/2005
sábado, agosto 30, 2008
O Tempo que passou
quarta-feira, agosto 27, 2008
Intertextualidade
POEMA PARA UMA RECUSA
Hoje não:
amanhã cantarei
Corsino Fortes
Hoje ainda há uma estrada imóvel
diante de pedras
que é preciso vencer
Por isso, amanhã cantarei
Hoje as palavras são ainda
instáveis e assim
há ainda tropeços que enredam a língua
É preciso hoje ainda
moeda de troca, costumes
para transitar incólume na noite
Hoje não:
amanhã cantarei
Como cantar hoje diante dos grãos
inúteis que caem em pedras
como flutuar com o peso
dos pés sobre os espinhos
Por isso hoje não, amanhã
cantarei amanhã a chuva
sem outro mistério que o da água
o azul sem dúvidas metálicas
o mar como a chave
do horizonte
depois de perceber o rosal puro
do ocaso e o leite da aurora
amanhã cantarei.
25/8/2008
Hoje não:
amanhã cantarei
Corsino Fortes
Hoje ainda há uma estrada imóvel
diante de pedras
que é preciso vencer
Por isso, amanhã cantarei
Hoje as palavras são ainda
instáveis e assim
há ainda tropeços que enredam a língua
É preciso hoje ainda
moeda de troca, costumes
para transitar incólume na noite
Hoje não:
amanhã cantarei
Como cantar hoje diante dos grãos
inúteis que caem em pedras
como flutuar com o peso
dos pés sobre os espinhos
Por isso hoje não, amanhã
cantarei amanhã a chuva
sem outro mistério que o da água
o azul sem dúvidas metálicas
o mar como a chave
do horizonte
depois de perceber o rosal puro
do ocaso e o leite da aurora
amanhã cantarei.
25/8/2008
segunda-feira, agosto 25, 2008
Mitologias*
O FILHO DE APOLO
Orgulhoso de se saber filho de Apolo
o imberbe Faetonte insistiu em guiar
o carro do Sol do pai
logo que Eos afastou as cortinas
do Oriente
mas os cavalos indomáveis soltaram-se
loucos pelos ares
queimaram bosques
abriram desertos de areia
estalaram a terra nua
consumiram cidades
ferveram lagos
fizeram negros os africanos
e só pararam quando Faetonte
se precipitou nas águas
como estrela cadente
com o cabelo em chamas
hoje há um cisne negro no rio Erídano
um jovem amigo
que recolheu o corpo
do rapaz presunçoso.
Palmela, Maio de 2008
(Brissos Lino)
* Mitologias é série de poemas que este meu querido amigo está a escrever, ao ceder-me o primeiro veio honrar o Poeta Salutor.
Orgulhoso de se saber filho de Apolo
o imberbe Faetonte insistiu em guiar
o carro do Sol do pai
logo que Eos afastou as cortinas
do Oriente
mas os cavalos indomáveis soltaram-se
loucos pelos ares
queimaram bosques
abriram desertos de areia
estalaram a terra nua
consumiram cidades
ferveram lagos
fizeram negros os africanos
e só pararam quando Faetonte
se precipitou nas águas
como estrela cadente
com o cabelo em chamas
hoje há um cisne negro no rio Erídano
um jovem amigo
que recolheu o corpo
do rapaz presunçoso.
Palmela, Maio de 2008
(Brissos Lino)
* Mitologias é série de poemas que este meu querido amigo está a escrever, ao ceder-me o primeiro veio honrar o Poeta Salutor.
sábado, agosto 23, 2008
(Suicídio é comunicação)
A mulher atirou-se do último andar
e ficou suspensa
nos fios do enredo dos postes
— a comunicar telegraficamente ao mundo
a sua beleza
que a angústia
tornava os cabelos mais livres
ao luto do vento...
(José Gomes Ferreira)
e ficou suspensa
nos fios do enredo dos postes
— a comunicar telegraficamente ao mundo
a sua beleza
que a angústia
tornava os cabelos mais livres
ao luto do vento...
(José Gomes Ferreira)
sexta-feira, agosto 22, 2008
O Tempo que passou

Fernando Pessoa foi sempre movido pela consciência de ser o intermediário entre o divino e a humanidade e que uma missão, recebida, lhe cumpria desempenhar. Esta consciência move-o no seu percurso literário e culmina, amadurecida e trabalhada, na publicação, em 1934, da sua obra Mensagem. (...) Fernando Pessoa concorreu em Outubro de 1934, com esta obra, ao prémio Antero de Quental, do Secretariado da Propaganda Nacional, destindado a premiar uma obra de índole nacionalista. O primeiro prémio foi atribuído a Vasco Reis, mas o júri, presidido por António Ferro, decidiu elevar a quantia atribuída ao segundo prémio. Esta obra, que é geralmente considerada como a expressão do nacionalismo português é lida como uma obra universalista, tal como quase toda a obra pessoana, por estudiosos de inúmeros países. O seu carácter universalista, que o próprio Fernando Pessoa lhe atribuia, não tardou, pois, a ser-lhe reconhecido. (Texto da responsabilidade da Universidade Fernando Pessoa)
No livro «Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação»(pg. 433), Pessoa afirma que pôs à venda «Mensagem», "propositadamente em 1 de Dezembro" de 1934.
quinta-feira, agosto 21, 2008
Leitura da “Nau Catrineta”, de Garrett
Para uma leitura da “Nau Catrineta”, de Garrett
Interessante abordagem pelo poeta e amigo Brissos Lino
Interessante abordagem pelo poeta e amigo Brissos Lino
terça-feira, agosto 19, 2008
Texto de Referência sobre blogues de poesia
PÓS-MODERNIDADE NA REDE: A POESIA BRASILEIRA NO SÉCULO XXI
Virna Teixeira
In Letras & Infovias, Caderno de Letras da UFF
Virna Teixeira
In Letras & Infovias, Caderno de Letras da UFF
Wikipédia, a enciclopédia livre
Na Wikipédia, a enciclopédia livre.
http://pt.wikipedia.org/wiki/J.t.parreira
http://pt.wikipedia.org/wiki/J.t.parreira
segunda-feira, agosto 18, 2008
O que viu a mulher de Lot
A terra não acolheu
o repouso da mulher de Lot: de pé
ficou de pé a emergir
das ínfimas moléculas de sal
o sonho branco
afundado no silêncio
não houve manhã seguinte, nem
o emergir da alva.
4-8-2007
o repouso da mulher de Lot: de pé
ficou de pé a emergir
das ínfimas moléculas de sal
o sonho branco
afundado no silêncio
não houve manhã seguinte, nem
o emergir da alva.
4-8-2007
quarta-feira, agosto 13, 2008
Encontro
sábado, agosto 09, 2008
Morte do poeta palestiniano Mahmoud Darwish
Mahmoud Darwish (13/3/1941 -9/8/2008) was a contemporary Palestinian poet and writer of prose. He has published over thirty volumes of poetry, eight books of prose and has served as the editor of several publications, including: Al-Jadid, Al-Fajr, Shu'un Filistiniyya and Al-Karmel. He is recognized internationally for his poetry, which focuses on his strong affection for his lost homeland. His work has won numerous awards, and has been published in at least twenty-two languages. The majority of his work has not been translated into English.
A propósito da guerra civil entre o Hamas e a Fatah, Darwish escrevera recentemente um poema, cujo início é uma auto-crítica:
Tínhamos que cair de tal altura tremenda para ver o sangue
A propósito da guerra civil entre o Hamas e a Fatah, Darwish escrevera recentemente um poema, cujo início é uma auto-crítica:
Tínhamos que cair de tal altura tremenda para ver o sangue em nossas mãos
para compreender que não somos anjos
como pensávamos?
Tínhamos também que expor nossas falhas ao mundo
para que nossa verdade não permanecesse virgem?
Como mentimos quando dissemos: somos a excepção!
terça-feira, agosto 05, 2008
Gasolina, inéditos sobre Hopper (6)
segunda-feira, agosto 04, 2008
Soljenitsine morre aos 89
sexta-feira, agosto 01, 2008
Antigamente em Paris
Antigamente em Paris
podia-se beijar o sol
numa esplanada de café
tranquilamente
deixar escorrer qualquer coisa fresca
pelo prazer abaixo
beber um sonho
sem gás
a vida corria líquida e clara
sem pressas
por dentro das veias
no tempo em que havia tempo
em Paris
podia-se tocar o céu
de olhos fechados.
(Brissos Lino)
in A Ovelha Perdida
podia-se beijar o sol
numa esplanada de café
tranquilamente
deixar escorrer qualquer coisa fresca
pelo prazer abaixo
beber um sonho
sem gás
a vida corria líquida e clara
sem pressas
por dentro das veias
no tempo em que havia tempo
em Paris
podia-se tocar o céu
de olhos fechados.
(Brissos Lino)
in A Ovelha Perdida
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