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“Há palavras impossíveis de escrever”
Cesariny
Há palavras impossíveis de escrever
fazem ranger
nos ossos a realidade
sujam os olhos
como um mau cheiro
corrompem os ouvidos
Morte é uma dessas
impossível
se disser, a morte da criança
abala como um tremor de terra
o coração
terrível a palavra Abismo
que às vezes sentimos nos joelhos
ou a Queda que fez a solidão
no Paraíso.
Poema publicado ineditamente in A Ovelha Perdida
A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
sábado, maio 28, 2011
quarta-feira, maio 25, 2011
Exposição de Pintura
Um pássaro fractal
sai da parede
um campo de algodão enche
os nossos ouvidos de silêncio
ao lado o rio parte
o estado dos olhos e da alma
do Narciso
a olharem de través
dois olhos num umbigo
e num espelho uma mulher que ocupa
os quatro cantos
Magritte se esfuma num cachimbo
e um trapézio
num corpo de ave.
que esvoaça de fugida.
24/5/2011
Publicado ineditamente em A Ovelha Perdida
sai da parede
um campo de algodão enche
os nossos ouvidos de silêncio
ao lado o rio parte
o estado dos olhos e da alma
do Narciso
a olharem de través
dois olhos num umbigo
e num espelho uma mulher que ocupa
os quatro cantos
Magritte se esfuma num cachimbo
e um trapézio
num corpo de ave.
que esvoaça de fugida.
24/5/2011
Publicado ineditamente em A Ovelha Perdida
sábado, maio 21, 2011
O que o Quixote vê
Quem carrega contra os moinhos
e tece armaduras gigantes
e não vê asas nas velas
à volta
dos olhos de Quixote
Quem investe com que lança
com seu coração nos olhos
quem tange o sonho dentro
de um túnel de vento
no vento que circula nos moinhos
Seria assombroso
assustá-los com uma pena
um cavalo rocinante , com flancos
de bronze.
5/5/2011
e tece armaduras gigantes
e não vê asas nas velas
à volta
dos olhos de Quixote
Quem investe com que lança
com seu coração nos olhos
quem tange o sonho dentro
de um túnel de vento
no vento que circula nos moinhos
Seria assombroso
assustá-los com uma pena
um cavalo rocinante , com flancos
de bronze.
5/5/2011
quarta-feira, maio 11, 2011
Livros são como vinhos
Aquilino Ribeiro, sobre os livros que escreveu: “ foram como vinhas que plantasse.”
Bons livros são como vinhos
vintage
que escorrem pela imaginação abaixo
em breves momentos
de prazer e glória
laboriosamente formados
com o dedos da alma
durante meses de afecto
são bibliotecas de Baco
que elevam os olhos
à loucura breve.
7/5/11
Poema inédito de Brissos Lino
Bons livros são como vinhos
vintage
que escorrem pela imaginação abaixo
em breves momentos
de prazer e glória
laboriosamente formados
com o dedos da alma
durante meses de afecto
são bibliotecas de Baco
que elevam os olhos
à loucura breve.
7/5/11
Poema inédito de Brissos Lino
sábado, maio 07, 2011
O Salmo
Quem vem por cima do vento
tangendo uma harpa
quem vem tangendo nuvens
na harpa, como na sua casa
quem vem
tangendo a harpa como se derramasse
sobre a terra um vaso de água de cristal
quem vem a tanger a sua harpa
espalhando asas pelo ar
e a excitar o gineceu das rosas.
3/5/2011
quinta-feira, abril 28, 2011
A Porta de Samaria
Cristo e a mulher de Samaria de Juan de Flandes, Sec. XV
À porta de Samaria recolhia ele
despojos antigos
alguns traumas assírios
ódios de estimação
e anunciava o reino aberto
à beira do poço
contava ele
formigas no carreiro
ao cantar das águas
como quem escreve
no chão do templo
aos pés da Samaritana
colava ele
inúmeros cacos de vida breve
quebrados na esquina
das incompreensões
e colava as sandálias da paz
nuns pés doridos
de mulher.
26/4/11
Inédito de Brissos Lino
À porta de Samaria recolhia ele
despojos antigos
alguns traumas assírios
ódios de estimação
e anunciava o reino aberto
à beira do poço
contava ele
formigas no carreiro
ao cantar das águas
como quem escreve
no chão do templo
aos pés da Samaritana
colava ele
inúmeros cacos de vida breve
quebrados na esquina
das incompreensões
e colava as sandálias da paz
nuns pés doridos
de mulher.
26/4/11
Inédito de Brissos Lino
segunda-feira, abril 25, 2011
A Pedra
Muito pouco tem sido dito
sobre a pedra, uma
fronteira do sepulcro
uma forma densa do não
muito pouco
perante as circunstâncias
se tem dito sobre a pedra
surda e um olho cego no dia
da ressurreição
não se entrava nem saía
dessa pedra, e no entanto
foi uma gota de água
como uma folha branda
um cristal tocado pela imensa
Mão, uma claridade
no primeiro dia da semana.
24/4/2011
domingo, abril 17, 2011
Almofada
Almofada
De dia subimos os nossos montes
cada distância mais longe
depois de deitada a nossa cabeça
num novelo de nuvens
por dentro e por fora
um sonho bordado.
16/4/2011
De dia subimos os nossos montes
cada distância mais longe
depois de deitada a nossa cabeça
num novelo de nuvens
por dentro e por fora
um sonho bordado.
16/4/2011
segunda-feira, abril 04, 2011
segunda-feira, março 28, 2011
Ondas Alterosas
sábado, março 19, 2011
Mulher sentada entre flores
Mulher sentada entre floresO teu rosto entrega-me a paz
redonda doçura entre cabelos
quando cerras os olhos
fico fechado dentro deles
nas tuas mãos
cruzadas mãos trabalhadoras
tropeça a minha ternura
sozinha
tens o sol do teu lado
como um muro de ouro
por onde o sonho se atravessa
e fico em silêncio contigo.
18/3/2011
terça-feira, março 15, 2011
O Pincel de Picasso
Vejo no pincel de Velázqueza luz branca que penteia
os cabelos das Meninas
como vejo no pincel de Picasso
como vivem
Les Demoiselles d' Avignon
Não como no pincel de Van Gogh
onde nem sempre os amarelos
são alegrias puras
No pincel de Arles vejo
a dança do vento
na anatomia dos trigos
e o sol que se estende
nas pétalas dos girassóis
e a morte que parte o céu
vejo no pincel de Van Gogh
os corvos e auto-retratos
despenteando o silêncio.
15/3/2011
domingo, março 13, 2011
Aquário
através do vidro, vai apertando as vozes
até ao murmúrio
no silêncio bóiam dentro da luz
nocturnos rostos
com mais uma noite às costas
eu acho que sei o que é o silêncio
nos olhares à espera do sono
nas mãos que, por vezes, compõem
o sorriso que pende da flor dos lábios.
8/3/2011
Sobre "Nighthawks", de Edward Hopper
terça-feira, março 08, 2011
Noite
é redonda a face larga da noite
e as suas asas
porque tem asas,
ou ela não escaparia
à apreensão à estreiteza dos abraços
resistente aos meus olhos
como o mar aos penhascos
e sobre a areia desenhando sulcos
a noite está só e tem só
o que o silêncio lhe empresta
como fome voraz que tudo devorou
tudo menos
o espanto hirsuto do poeta
5/03/11
Inédito de Rui Miguel Duarte
e as suas asas
porque tem asas,
ou ela não escaparia
à apreensão à estreiteza dos abraços
resistente aos meus olhos
como o mar aos penhascos
e sobre a areia desenhando sulcos
a noite está só e tem só
o que o silêncio lhe empresta
como fome voraz que tudo devorou
tudo menos
o espanto hirsuto do poeta
5/03/11
Inédito de Rui Miguel Duarte
sábado, março 05, 2011
Silêncio, poema de Billy Collins
Há o súbito silêncio da multidão
sobre o jogador imóvel no estádio,
e o silêncio da orquídea.
O silêncio do jarrão caindo
antes de se dividir no solo,
o silêncio do cinto enquanto não bate no menino.
O sossego do copo e da água dentro dele,
o silêncio da lua
e a quietude do dia longe do estrondo do sol.
O silêncio quando estou contigo no meu peito,
o silêncio da janela que pode espreitar-nos,
e o silêncio quando te levantas e te afastas.
E eis o silêncio desta manhã
que parti com a minha esferográfica,
um silêncio acumulado toda a noite
como a neve que cai na sombra da casa -
o silêncio antes de ter escrito uma palavra
e agora o mais pobre dos silêncios.
Trad. J.T.Parreira
quarta-feira, março 02, 2011
O Palhaço
“O palhaço é um poeta em acção.”(Henry Miller, O sorriso aos pés da escada)
Ar de menino desajeitado
pernas frouxas
pés que caminham para sítios diferentes
a perguntar emoções
assim vai o poeta da flor amarela
no chapéu minúsculo
pendura um sorriso rasgado
no rosto triste
quer fazer feliz a criança que nos habita
desde sempre
mesmo quando no fim do espectáculo
ressoam palmas
e murmúrios de troça.
1/3/11
Brissos Lino
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
Granada
(foto Paco Ayala)De barco vou a Granada
no rio de músculos de um cavalo
figueiras e girassóis
curvam o vento em viagem
Vou de barco para Granada
vou pela água
dos meus olhos, ver um poeta e a sombra
do seu corpo na mortalha
de um muro de cobre e de cristal
e a sua cara
na fresca manhã da morte.
(do livro inédito, a ser escrito, "À porta das Cidades" )
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Folhas Letras & Outros Ofícios, nº 13
Apresentação do nº 13 da revista do Grupo Poético de Aveiro, dia 19 de Fevereiro, pelas 17:3o no CUFC-Centro Universitário Fé e Cultura, Campus Universitário, Aveiroquarta-feira, fevereiro 16, 2011
Desconstrução
domingo, fevereiro 13, 2011
Um Domicílio em Paris
A água do Sena como um domicílio
o rio imóvel é um espelho
sujo, até às luzes
que lhe dão o colorido das estrelas
e os barcos
desenham pequenas paisagens na água
um acordeão nas águas
quando uma barcaça passa
e outro ao longe o som enreda
na noite a música inefável.
(do livro em preparo "À Porta das Cidades" ou "Partida para Tróia")
o rio imóvel é um espelho
sujo, até às luzes
que lhe dão o colorido das estrelas
e os barcos
desenham pequenas paisagens na água
um acordeão nas águas
quando uma barcaça passa
e outro ao longe o som enreda
na noite a música inefável.
(do livro em preparo "À Porta das Cidades" ou "Partida para Tróia")
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