é redonda a face larga da noite
e as suas asas
porque tem asas,
ou ela não escaparia
à apreensão à estreiteza dos abraços
resistente aos meus olhos
como o mar aos penhascos
e sobre a areia desenhando sulcos
a noite está só e tem só
o que o silêncio lhe empresta
como fome voraz que tudo devorou
tudo menos
o espanto hirsuto do poeta
5/03/11
Inédito de Rui Miguel Duarte
A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
terça-feira, março 08, 2011
sábado, março 05, 2011
Silêncio, poema de Billy Collins
Há o súbito silêncio da multidão
sobre o jogador imóvel no estádio,
e o silêncio da orquídea.
O silêncio do jarrão caindo
antes de se dividir no solo,
o silêncio do cinto enquanto não bate no menino.
O sossego do copo e da água dentro dele,
o silêncio da lua
e a quietude do dia longe do estrondo do sol.
O silêncio quando estou contigo no meu peito,
o silêncio da janela que pode espreitar-nos,
e o silêncio quando te levantas e te afastas.
E eis o silêncio desta manhã
que parti com a minha esferográfica,
um silêncio acumulado toda a noite
como a neve que cai na sombra da casa -
o silêncio antes de ter escrito uma palavra
e agora o mais pobre dos silêncios.
Trad. J.T.Parreira
quarta-feira, março 02, 2011
O Palhaço
“O palhaço é um poeta em acção.”(Henry Miller, O sorriso aos pés da escada)
Ar de menino desajeitado
pernas frouxas
pés que caminham para sítios diferentes
a perguntar emoções
assim vai o poeta da flor amarela
no chapéu minúsculo
pendura um sorriso rasgado
no rosto triste
quer fazer feliz a criança que nos habita
desde sempre
mesmo quando no fim do espectáculo
ressoam palmas
e murmúrios de troça.
1/3/11
Brissos Lino
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
Granada
(foto Paco Ayala)De barco vou a Granada
no rio de músculos de um cavalo
figueiras e girassóis
curvam o vento em viagem
Vou de barco para Granada
vou pela água
dos meus olhos, ver um poeta e a sombra
do seu corpo na mortalha
de um muro de cobre e de cristal
e a sua cara
na fresca manhã da morte.
(do livro inédito, a ser escrito, "À porta das Cidades" )
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Folhas Letras & Outros Ofícios, nº 13
Apresentação do nº 13 da revista do Grupo Poético de Aveiro, dia 19 de Fevereiro, pelas 17:3o no CUFC-Centro Universitário Fé e Cultura, Campus Universitário, Aveiroquarta-feira, fevereiro 16, 2011
Desconstrução
domingo, fevereiro 13, 2011
Um Domicílio em Paris
A água do Sena como um domicílio
o rio imóvel é um espelho
sujo, até às luzes
que lhe dão o colorido das estrelas
e os barcos
desenham pequenas paisagens na água
um acordeão nas águas
quando uma barcaça passa
e outro ao longe o som enreda
na noite a música inefável.
(do livro em preparo "À Porta das Cidades" ou "Partida para Tróia")
o rio imóvel é um espelho
sujo, até às luzes
que lhe dão o colorido das estrelas
e os barcos
desenham pequenas paisagens na água
um acordeão nas águas
quando uma barcaça passa
e outro ao longe o som enreda
na noite a música inefável.
(do livro em preparo "À Porta das Cidades" ou "Partida para Tróia")
A Ponte dos Suspiros
Veneza se desmorona e desnuda
cai na luz escura
dos canais, castelos de areia
a porta dos velhos Doges
A Ponte dos Suspiros corre
em pedaços, cada pedra
um ai, vinte milhões
de olhos por ano a consomem
num mar de imagens serenas.
(do livro em preparo "À porta das Cidades" ou "Partida para Tróia" (provisórios)
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Nem sempre os pés desistem
Nem sempre os pés desistem de caminharpara ficar de frente aos outros
a convergir
nem sempre param
para escutar dores e estórias
de outros andarilhos da vida
e aventura
esquecem-se muito de partilhar a jornada
deixam escapar as alegrias
da comunhão
mas acabam por concluir que o chão
que pisam homens e cavalos
é duro para todos.
2/2/11
Inédito do poeta residente Brissos Lino
sexta-feira, janeiro 28, 2011
A Mãe
Era a morte envergonhada
escondida nestes rostos
tão próximos do chão
pequenos corpos, um dia saberemos
como a morte com sapatos precários
caminhou nestes corpos infantis
como a morte se vergou
nestas costas ao peso
do inverno
Era a morte já tão arruinada
nestas roupas, um dia saberemos
como foram lentos os seus passos
a querer retardar a pressa
dos relógios.
27-1-2011
domingo, janeiro 23, 2011
Não estou a chorar, Mãe
Não estou a chorar, Mãeé a minha alma que cai pelas faces
Sabes, Mãe? Os meus olhos são teimosos
não se fecham com facilidade
nem quando gotas salgadas
se desprendem do vento
ou quando as árvores
rompem em gorjeios
As lágrimas, Mãe, não são o que parecem
são o amor da alma por esse corpo
que se limita a morrer
Não, não estou a chorar, Mãe
é o silêncio que se torna sólido
este teimoso silêncio
da lágrima.
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Almoço na Relva
segunda-feira, janeiro 10, 2011
O Beijo no Bosque
domingo, janeiro 09, 2011
O Anjo Indispensável
“I am the necessary angel of earth”
Wallace Stevens
“O anjo necessário/entende a voz do chão”
Cassiano Nunes
O anjo indispensável
estendeu a sua voz no chão
como um almoço sobre a relva
e dos pequenos animais ao espírito
do homem, se entendia a frase
porque era colírio, alfazema, a sua voz
porque ela embalava estrelas pueris
nos nossos olhos, desfazia
os gestos trágicos que trazemos
o anjo indispensável
também cantava, como canta o mar
alto ao lançar de si pequenas ondas
e ao cantar, para o ouvir, a noite
se inclinava ao anjo indispensável
com suas palavras lavadas.
3/1/2010
Wallace Stevens
“O anjo necessário/entende a voz do chão”
Cassiano Nunes
O anjo indispensável
estendeu a sua voz no chão
como um almoço sobre a relva
e dos pequenos animais ao espírito
do homem, se entendia a frase
porque era colírio, alfazema, a sua voz
porque ela embalava estrelas pueris
nos nossos olhos, desfazia
os gestos trágicos que trazemos
o anjo indispensável
também cantava, como canta o mar
alto ao lançar de si pequenas ondas
e ao cantar, para o ouvir, a noite
se inclinava ao anjo indispensável
com suas palavras lavadas.
3/1/2010
sábado, janeiro 01, 2011
Os Gatos do Hemingway à chuva e ao sol
A bem dizer, visitar a Casa de Hemingway em Key West, é visitar móveis espanhóis do Séc.XVII, mármores de Murano, a máquina de escrever, da qual -dizem- saiu cerca de 70% da obra do escritor, livros, fotografias, autógrafos do criador de "O Velho e o Mar", espaços que contêm memórias e, sobretudo, os gatos.Os gatos do Escritor, melhor, a descendência ininterrupta dos gatos do Escritor. Dezenas, com vida própria e cemitério, e tudo.
Gatos com nomes: "Spencer Tracy", "Catherine Hepburn", gatos -actores que sabem estar sob a admiração dos olhares dos visitantes, gatos sobre as camas e os sofás, desinteressados de quem os olha, gatos com poses.
Como este gato do "post-card", que bebe a quase cristalina água de mármore que escorre em mil fios, desde sempre.
Há uma presença, a do Escritor, nesta Casa, há... mas é o nosso imaginário que a vai reconstruindo. O eco do tiro de caçadeira fica muito longe, em Idaho, aqui é a Florida, a derradeira ilha com vista para Cuba.
sábado, dezembro 18, 2010
Haicai, escrito em Miami
Sob as palmeiras
vejo o rumo do vento,
que amacia as folhas.
Miami Beach, 18-12-2010
Haicai, escrito Miami
A lua aveludou
o céu: ah prepara um leito
para a minha noite.
Miami Beach, 17-12-2010
o céu: ah prepara um leito
para a minha noite.
Miami Beach, 17-12-2010
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Viagem às Origens do Ser
De Ulisses a Garcia Marquez, passando por Ricardo Reis e Jorge Luis Borges, uma viagem de Retorno. Excerto de texto para ler Aqui, no Babelia, El Paísdomingo, novembro 21, 2010
Conselhos de Circe a Ulisses
terça-feira, novembro 16, 2010
Play
Poema de Adriana Fernandez Lagoa
Juguemos a que el mundo se despierta
y nadie sabe adónde fue la muerte,
todos sucumben a la estruendosa vida
que aguarda en los estanques
donde ahogarse fue imposible.
Juguemos a que los insensatos sueños son factibles,
y a que la lluvia no cesó ni el sol se puso.
Juguemos a este juego ...
(Escrito em Madrid, 15/11/2010)
PLAY
Brinquemos ao jogo do mundo que desperta
e ninguém sabe aonde foi a morte,
todos sucumbem ao estrépito da vida
que aguarda em charcos
onde o afogamento é impossível.
Joguemos a que os sonhos insensatos são viáveis,
e que a chuva não cessou nem o sol caiu.
Joguemos a este jogo...
(Traduzido por J.T.Parreira)
Juguemos a que el mundo se despierta
y nadie sabe adónde fue la muerte,
todos sucumben a la estruendosa vida
que aguarda en los estanques
donde ahogarse fue imposible.
Juguemos a que los insensatos sueños son factibles,
y a que la lluvia no cesó ni el sol se puso.
Juguemos a este juego ...
(Escrito em Madrid, 15/11/2010)
PLAY
Brinquemos ao jogo do mundo que desperta
e ninguém sabe aonde foi a morte,
todos sucumbem ao estrépito da vida
que aguarda em charcos
onde o afogamento é impossível.
Joguemos a que os sonhos insensatos são viáveis,
e que a chuva não cessou nem o sol caiu.
Joguemos a este jogo...
(Traduzido por J.T.Parreira)
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