domingo, agosto 16, 2009

Pastor de ventos: Ángel González

Pastor de ventos, desde
os infinitos horizontes
refugiam-se rebanhos em tuas mãos.
Certo o futuro, vês a larga
paisagem de colinas, esperando
a brisa que te traga
aquele odor suave do tomilho
ou o fundo aroma a bosque de inverno.
A chuva logo vem, infatigável,
e deita-se a teus pés fazendo charcos
que emigram para o céu no verão.
E descem pelo ar
pássaros e perfumes, folhas secas,
mil coisas
que deixas ou reténs com olhos penetrantes.
Cada dia traz uma surpresa,
e tu cantas,
pastor,
cantas ou assobias
às estrelas altas também tuas.


Trad. J.T.Parreira

sexta-feira, agosto 14, 2009

Saint-Exupéry segue invisível

Saint-Exupéry segue invisível
continua nas nuvens
a pratear de cinzento a luz
das nuvens, em vão
em baixo se procuram sinais
uma exclamação, um polegar
erguido, uma verdade
própria do deserto
o poeta já deve ter descido
numa via-láctea
como um menino que varria a lava
de vulcões e cuidava de uma rosa
impermeável.
(publicado inicialmente em A Ovelha Perdida

quinta-feira, agosto 13, 2009

eu e o beberibe

Rio Capibaribe

sou um rio solto na enchente
na correnteza de ausências
rio sem peixe
me falta planta
e é como se me tivessem tirado
o leito
mero ribeiro, agora
dependendo de afluentes
esperando chuva farta
e maré alta
rio solto na correnteza
numa enchente de carências

cabo gato, px, olinda
12.08.09

(samuca santos)

quarta-feira, agosto 12, 2009

terça-feira, agosto 11, 2009

Isso foi amor

Comentei-lhe:
-Entusiasmam-me teus olhos.
E ela disse:
-Gostas deles sós ou com rímel?
-Grandes,
respondi sem hesitar.
E também sem hesitações
deixou-mos num prato e foi tacteante.


(Ángel González)
do livro Breves acotaciones para una biografia, 1969
Trad. J.T.Parreira

segunda-feira, agosto 10, 2009

Haiku nº 17, inédito

Aqui, no Poeta Salutor 2, um haiku inédito. O número 17 é aleatório, 5+7+5

Excerto da realidade: poema de WCW

William Carlos Williams:

Alguém morre cada quatro minutos
No Estado de Nova York
Caramba para ti e tua poesia
Tu apodrecerás e serás fumo
No próximo sistema solar
Junto com outros gases
Que raio sabes tu a esse respeito?!

(Tradução de J.T.Parreira)

Do livro Spring and All (1923)

domingo, agosto 09, 2009

Ode para uns amigos judeus

os judeus são tristes
vestem grossos sobretudos
pretos e falsificam
seu sangue e sua carne

mas dormem com o nome
de um país e morrem
na terra, com a boca
na terra

os judeus com o fogo
de um nome na língua
não morrem com a boca
vazia

(poema de 1975, reconstruído)

sábado, agosto 08, 2009

Come Together, há 40 anos


Com os pés descalços em Abbey Road, 8 de Agosto de 1969.



diário de buk

página dedicada ao genial louco charles bukowski

>traduções (principalmente dos poemas, raros em língua portuguesa)
>textos autorais/referentes ao buk
>curiosidades
>comentários publicados em outros livros
>obras de referênciaquem quiser colaborar direto no blog, basta solicitar pelo:samucafsantos@gmail.com

Aqui,

com lançamento oficial no dia 16. Charles Bukowski nasceu em Adernach, Alemanha, a 16 de agosto de 1920. Morreu em 1994.


quarta-feira, agosto 05, 2009

Email com inédito dentro

De: Brissos Lino
Quarta-feira, 5 de agosto de 2009 13:41:41
Enviada:
Para:
João Tomaz Parreira
1 anexo

Cara de v...doc (19,1 KB)

Querido amigo,
Aqui vai um poema meu, inédito, que ainda está quente, acabado de confeccionar.
Grande abraço,
Brissos

CARA DE VELHO

O campo lavrado no rosto
pelo arado dos anos
e os ais de muitas noites
dois olhos distantes
ao fundo
a equilibrar o medo e a esperança
num arame sem rede

um mapa da vida
feito de sulcos irregulares
que conduz a um destino certo
e único
chamado Saudade.


(Brissos Lino)
5/8/09








terça-feira, agosto 04, 2009

Ensaio sobre o Grande Gatsby




Acesa a casa toda a noite no outro lado da baía
farol guiando os olhos
Os olhos frescos de Jay Gatsby, presos
toda a noite a uma luz verde
trémula do outro lado da baía
Enquanto houve festas extravagantes
Entre os brilhos
do verão e os prenúncios cinzentos
do Outono, do outro lado da noite
alguém a cabeça levantava
e invocava o fantasma do amor
nos cristais das luzes
nas teias de silêncios da baía.

2-8-2009
(Extraído de Sinalefa)

domingo, agosto 02, 2009

As vacas de Chaucer

No filme Sylvia (Gwyneth Paltrow) declama Chaucer às vacas.

As vacas do prado
sonolento, ouvem Chaucer
Afastam as moscas
a chicote, com o rabo

E olham para nós
desde a borda do abismo
dos seus olhos

No seu quadrado de terra
as vacas são apenas pontos
branco e preto
e não dão grande importância
à sua sombra, descansam
mesmo sobre ela.

1/8/2009

sábado, agosto 01, 2009

Lição de Ted Hughes:

"É por isso que, enquanto poeta, cada um deve certificar-se de que todas as componentes sobre as quais se pode exercer controlo, as palavras, as imagens, os ritmos, existem como coisas vivas." (in O Fazer da Poesia)

Blog em Mi Literaturas

Um Blog do autor (Mi Blog) em Mi Literaturas, consultar Aqui.

sexta-feira, julho 31, 2009

Sibila - Revista de Poesia e Cultura

Um ensaio sobre a x de Mário de Andrade e Álvaro de Campos, e 6 poemas, na revista Sibila, editada, hoje, em S.Paulo. Aqui.

quinta-feira, julho 30, 2009

As pinturas de Zimmerman, dito Dylan

"lançada no último dia 25, a coleção 2009 das pinturas de bob dylan, intitulada the drawn blank series, pode ser vista e (pra quem pode) adquirida aqui. lembrando que estão à venda cópias gráficas, limitadas ao número de 295.se o seu negócio é apenas a música do bardo (e concordo com você...), acesse o sítio oficial de mister zimmerman."

Notícia de Aqui, do Samucablog

quarta-feira, julho 29, 2009

ted hughes, poemas de animales

-Onde descobriu isto?- perguntou a empregada comercial. «Isto» é o livro da gravura, uma tradução de poesia de Ted Hughes. A colecção é da Mitos Poesia, o preço (ainda) 395 ptas.
A livraria é a Leitura, no Porto, onde há mais de 20 anos tenho o «hábito» de descobrir nas estantes certas preciosidades. Ao fim da tarde de ontem, com o carro em 2ª fila e a minha mulher ao sol.


TORDOS
(um fragmento, pág.14)

Espantosos são os tordos pulcros e atentos sobre
a erva.
Não parecem seres vivos, mas aço retorcido. Seu olhar
negro e letal está à espera. Suas patas débeis
fazem movimentos circenses. Dão um
respingo, um salto e uma bicada
raspam da terra algo que treme no seu bico.
Nada de pausas indolentes nem olhares de sono.
Nada de coçar a cabeça nem suspirar. Nada mais
que um salto e uma bicada
e um instante de voracidade.

(Trad. JTP)

terça-feira, julho 28, 2009

As Mulheres Azuis

Conversam com as mãos
num gesto fútil.

O pensamento feminil
vê-se no frisado dos cabelos.

Tranquilas
as mulheres azuis frisam

as paredes de Cnossos.


28/7/2009

segunda-feira, julho 27, 2009

A propósito de Giuseppe Ungaretti

Perdidos & Achados

A propósito do poeta italiano Giuseppe Ungaretti e de algumas traduções da sua poesia que trabalhei e publiquei, vai para 2/3 anos, vim a descobrir Aqui o que o autor do Blog Dona-Redonda descobriu.
Também aqui mesmo no pesquisar no Blog «Giuseppe Ungaretti», podemos reverler textos, traduções e referências.