Paul Cézanne (1839-1906)A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
sexta-feira, maio 22, 2009
quinta-feira, maio 21, 2009
"Depois de Cézanne", Lucien Freud
quarta-feira, maio 20, 2009
Mrs. Darwin
7 April 1852Went to the Zoo.
I said to Him--
Something about that Chimpanzee over there
reminds me of you.
(Carol Ann Duffy)
(Carol Ann Duffy)
The World's Wife surge de um conceito unificador: a escrita de poemas curtos em trinta vozes de mulheres/esposas diferentes, do ponto de vista social, da ciência, da literatura e da mitologia, etc. O Humor é a tónica dominante desta recolha da Poeta Laureada do Reino Unido.
Senhora Darwin
7 de Abril de 1852
7 de Abril de 1852
Fomos ao Zoo.
E eu disse-lhe --
Há qualquer coisa naquele Chimpanzé
que és tu.
(Trad.J.T.Parreira)
terça-feira, maio 19, 2009
El crimen fue en Granada
Machado num estilo e pose muito pessoanosEL CRIMEN FUE EN GRANADA: A FEDERICO GARCÍA LORCA
Antonio Machado
1. O Crime
Ele foi visto caminhando entre fuzis,
por uma rua larga,
saindo ao frio do campo,
ainda com as estrelas da madrugada.
Mataram Federico
quando a luz assomava.
O pelotão de verdugos
nem ousou ver-lhe a cara.
Todos fecharam os olhos;
rezaram: nem Deus te salva!
Morto caiu Federico
-sangue no rosto e chumbo nas entranhas-
...Pois foi em Granada o crime
-Saibam – pobre Granada!- na sua Granada.
(Tradução de J.T.Parreira)
segunda-feira, maio 18, 2009
A voz de Ipanema

Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Vinicius de Moraes
Quem vai a Ipanema
tem a praia cheia da voz do poeta
mesmo quando os azuis de Ipanema
desabotoam o ocaso
Nessa hora alguém que dorme na praia
com as pálpebras carregadas
do doce balanço do sono
canta a namoradinha tão bonita
escondida do sol atrás dos Prada
Eles guardam o brilho das sombras
dos seus olhos.
domingo, maio 17, 2009
sexta-feira, maio 15, 2009
Autógrafos (8) / O Poeta
quarta-feira, maio 13, 2009
A lição de banjo

Henry Ossawa Tanner
Onde entra a luz quente de uma lareira
e se adivinha o azul que vem do fundo
do universo, um horizonte em branco
que se atravessa na parede
Aí estava o esquecimento
do resto do mundo, dos poucos haveres
e uma natureza-morta sobre a mesa
num velho soalho de madeira
o ranger dos pobres
Velho e menino estão num ar azul
presos às mãos que vão tirando
do banjo o finíssimo silêncio
da poeira.
terça-feira, maio 12, 2009
Contos curtos
Picasso, Mulher com livroROUPA DE SAÍDA
A noite
Engomava
Minha roupa de saída
No ferro frio de cada dia.
(Galope noturno (Fortaleza, Banco do Nordeste do Brasil, 2007). Antônio Mário de Brito Nogueira nasceu em Viçosa do Ceará, em 1950. Eis um dos poemas daquele livro).
DECOTE
Dois quartos lunares
saem da blusa
O roxo do algodão
era um pôr do sol desusado
uma planície com horizonte
a perder-se dos olhares.
11/5/2009
(editado em http://poetasalutor2.wordpress.com/ )
segunda-feira, maio 11, 2009
A poesia como pintura
domingo, maio 10, 2009
Três Lorcas, Edição Especial
sábado, maio 09, 2009
ode a lorca
Samuca Santos:
ode a lorca
não, federico
os estudantes ainda não foram à praça
enfrentar os milicos
com meus poemas
e flores atiradas ao ar
(nem sei se algum dia)
não passei um happy xmas
sob a neve de manhattan
muito menos vi cordoba
lejana y sola
com a morte me mirando
desde suas torres
também não sei se algum dia
lembrarão dos meus poemas
com o fervor
que o mundo venera os teus
(cabogato, px, olinda 19.04.09)
ode a lorca
não, federico
os estudantes ainda não foram à praça
enfrentar os milicos
com meus poemas
e flores atiradas ao ar
(nem sei se algum dia)
não passei um happy xmas
sob a neve de manhattan
muito menos vi cordoba
lejana y sola
com a morte me mirando
desde suas torres
também não sei se algum dia
lembrarão dos meus poemas
com o fervor
que o mundo venera os teus
(cabogato, px, olinda 19.04.09)
sexta-feira, maio 08, 2009
Rei de Copas: Federico García Lorca

Mataron en Granada a Federico García.
No sabemos aún qué sacaron con ello.
No escuchamos el llanto del viento.
Enmudecimos con aquellos viles disparos.
Nada respondo acerca
de lo que estaban hilando
con las Parcas.
En el ataud
yacemos con hermosa frescura.
Erregeko Kopa: Federico Garcia Lorca
Federiko García Granadan hil zuten
Ez dakigu oraindik zer atera duten
Haizearen negarrik eztugu entzuten
Tiro doilor haiekin mututu ginduten
Eztut erantzuten
Zetzaz ziharduten
Parkekin iruten!
Eta katabuten
Freskura galantean ginaden etzuten.
( Gabriel Aresti, Bilbao -1933-1975 )
quarta-feira, maio 06, 2009
Tu
Estive contigo todo o dia no meu ouvidoà volta do meu pescoço
o teu perfume, de gotas brilhantes
invisíveis, na dupla palma
das minhas mãos o vento
trazia o minúsculo instante da poeira
Estive com os meus cabelos
sonhando com as tuas mãos
estive a respirar o ar
que deixaste para trás
guardei na minha retina a soma
do abrir e fechar dos teus olhos
o teu silêncio agora toca-se
em cada coisa que ficou
cuja textura é inquebrável
como uma lágrima.
A bebedora de Absinto, Lautrec
terça-feira, maio 05, 2009
Autógrafos (7)
(Brissos Lino)####################
À IMENSA MAIORIA
Aquí tenéis, en canto y alma, al hombre
Blas de Otero
Se não conheceis um coração
na boca de um homem
que errou,
aqui o tendes.
Uma parte
morreu em mim. A outra
entre o coração e a boca
ainda se espanta como um menino
que vê o perdão
como sorriso de Deus.
Saio à rua para todos os olhos
que me cruzam,
como se atravessa à névoa,
muito abertos
porém sem ninguém.
Aquí tenéis, en canto y alma, al hombre
Blas de Otero
Se não conheceis um coração
na boca de um homem
que errou,
aqui o tendes.
Uma parte
morreu em mim. A outra
entre o coração e a boca
ainda se espanta como um menino
que vê o perdão
como sorriso de Deus.
Saio à rua para todos os olhos
que me cruzam,
como se atravessa à névoa,
muito abertos
porém sem ninguém.
sábado, maio 02, 2009
Pessoa Drummondiano
No meio da paisagem tem um poeta.Graça Graúna.
No meio da calçada tem um poeta
tem uma mesa no meio da calçada
no meio da mesa
tem a mão cheia do orvalho da tarde
Na ponta de um braço tem outra mão
indicando o caminho
ao lado da mesa no meio da calçada
Ninguém se esquecerá que tem um poeta
que está em fogo
quando toma o sol no corpo.
sexta-feira, maio 01, 2009
Carol Ann Duffy, a 1ª em 341 anos
Britain Picks First Female Poet Laureate
By SARAH LYALL
With the choice of Carol Ann Duffy, the post held by such poets as Dryden, Tennyson and Ted Hughes went to a woman for the first time in its 341-year history.
Ler in The New York Times
By SARAH LYALL
With the choice of Carol Ann Duffy, the post held by such poets as Dryden, Tennyson and Ted Hughes went to a woman for the first time in its 341-year history.
Ler in The New York Times
Carol Duffy, 53, é conhecida por ter uma escrita poética acessível. Com frequência os seus poemas contêm ditos de espírito e tratam das minúcias da vida de cada dia.
Sendo a poesia acima de tudo uma sucessão de momentos intensos, «eu não trato com factos, trato com emoções.»-Disse.
"You
Uninvited the thought of you stayed too late in my head"
quinta-feira, abril 30, 2009
O mensageiro
As rugas do teu rosto são as linhasvisíveis da mensagem
lê-se em cada linha
as ruínas da vitória
Com sandálias molhadas pelos rios
com os pés febris, vens do longe
com os olhos, como espelhos
da mensagem
e tocas outras distâncias com o olhar
o coração desocupado, só
a mensagem que carregas
de Maratona é o que importa
Chegas ao teu reino e a tua calma
virá depois da morte.
poema editado, primeira vez, em A Ovelha Perdida
terça-feira, abril 28, 2009
Stephen Crane
domingo, abril 26, 2009
Namoro
sábado, abril 25, 2009
Entrada na lata
sexta-feira, abril 24, 2009
Leste de Angola (1968-70)
para MCLembro-me que lhe escrevia cartas
verdadeiras, as palavras
não eram transparentes
eram como o coração no corpo
sentido em sinais ininterruptos
Veias e artérias
gravadas nas palavras
Recordo que invejava
as cartas que iam tocar a pele
dos seus dedos
Eram cartas verdadeiras
da dor obscura
iriam voar no éter
numa liga de alumínio
A única palavra que recordo
é o amor.
quarta-feira, abril 22, 2009
O tricô de Penélope
segunda-feira, abril 20, 2009
1961, variante aqui, no Poeta Salutor 2
Poema 1961, alternativa no Blog Poeta Salutor 2. Ver lá. §§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
No Samucablog , do amigo poeta pernanbucano, Samuel Santos, a minha tradução de um poema de Ungaretti: O porto submerso. Ler aqui http://samucablogsantos.blogspot.com/2009/04/o-porto-submerso.html#comment-form
sexta-feira, abril 17, 2009
Picasso: "Mosqueteros" - os últimos trabalhos

A última etapa de Picasso pisa pela primeira vez o solo nova iorquino
"An exhibition at the Gagosian Gallery in Chelsea (New York City) features works painted by Picasso in the decade before his death in 1973, including four from 1967."
in The New York Times, de hoje
PICASSO
Picasso dá-nos Coisas
que nos desorganizam os olhos
as linhas correm paralelas, e depois
separam-se, os rostos
ficam de repente de perfil
Les Demoiselles velhas
uma forma hoje
não é amanhã
Picasso deixa a cabeça
a nossa, irrequieta.
Apócrifo de Ésquilo
(Haiku)
"Os turbilhões da neve de brancas asas"
in Prometeu Agrilhoado
O Inverno serve
à neve suas brancas asas:
o invísivel vento.
"Os turbilhões da neve de brancas asas"
in Prometeu Agrilhoado
O Inverno serve
à neve suas brancas asas:
o invísivel vento.
quinta-feira, abril 16, 2009
quarta-feira, abril 15, 2009
O Tempo que passou
Livraria Civilização, Porto, 1945Nesta colectânea de narrativas, está Ténebra, que viria a ser conhecida, editorialmente, mais tarde como O Coração das Trevas, e mais tarde ainda em filme: Apocalipse Now, de Coppola.
«A Nellie, uma chalupa de recreio, rodou sôbre o ferro sem o mais pequeno panejar das velas, e ficou em repouso.»
O elemento surpresa, que Conrad soube inserir nas trevas desta novela através da poética dos sentidos, começa aqui: o rio não está em África, é o Tâmisa de onde parte para o mar aberto. Só depois o rio se dilata na rota marítima até ao Continente Negro onde a procura de Kurtz começa.
terça-feira, abril 14, 2009
À imensa maioria
segunda-feira, abril 13, 2009
Van Gogh died the other day
sábado, abril 11, 2009
Na terra de meu pai há leões

Na terra de meu pai há leões
Iluminam
o ar da noite e erguem
dentro dos olhos enormes
o seu poder
Quando os leões atravessam a terra
de meu pai, é um silêncio fundo
como um rio
que avassala amarelo-fulvo
Os leões da terra de meu pai sobem
no espaço como barcos
compridos egípcios, sabem
no alto das ondas do vento
enviar os seus sinais
A savana abre os seus ouvidos
para os leões da terra virgem de meu pai.
quinta-feira, abril 09, 2009
O Poeta
Inédito do meu caro colega de trabalho de poesia, há 37 anos.
Coração que vê
o silêncio
olhos que sentem
um fogo aceso
mãos que escutam
o improvável
ouvidos que afagam
horas de solidão
alma sensível
a lágrimas alheias
sempre atento a esta condição
nua e humana
a este chão incerto
que não pára de se mover
doloroso e aflito.
9/4/09
(Brissos Lino)
Coração que vê
o silêncio
olhos que sentem
um fogo aceso
mãos que escutam
o improvável
ouvidos que afagam
horas de solidão
alma sensível
a lágrimas alheias
sempre atento a esta condição
nua e humana
a este chão incerto
que não pára de se mover
doloroso e aflito.
9/4/09
(Brissos Lino)
terça-feira, abril 07, 2009
segunda-feira, abril 06, 2009
A menina do casaco vermelho

Ninguém baixou os olhos, todosolham a linha de um horizonte
de lenços, bonés, capacetes
de aço, quase tropeçam
na ave que desliza no chão
com plumagem vermelha.
Tão perto de botas e sapatos
que já pisaram o risco da morte
a menina leva no bolso um mistério
ninguém sabe mas a inocência
da vida desliza como uma menina
de casaco vermelho.
6/4/2009
domingo, abril 05, 2009
História sobre como os Salmos aparecem
Levantam-se os salmistas
manhã cedo
por causa da insónia nos seus dedos
levantam-se
para plantar as hastes do som
entre o silêncio.
manhã cedo
por causa da insónia nos seus dedos
levantam-se
para plantar as hastes do som
entre o silêncio.
sábado, abril 04, 2009
sexta-feira, abril 03, 2009
HAIKU (4)
quinta-feira, abril 02, 2009
Dia do Livro Infantil, com um poema

CRIANÇAS QUE OLHAM OS DRAGÕES
Como as crianças que olham os dragões
os meus olhos ainda se espantam
quando as nuvens passam
num retrato de família
as cores umas às outras
e são algodão
doce e carrosséis
como as crianças que olham
para os dragões, ainda me surpreendo
com nenúfares que põem a mesa
nos rios
Como as crianças que olham
os dragões, os meus olhos
prendem-se aos gestos
das netas e dos netos, e o tenso coração
é uma sombra do que foi
até isso me admira
por causa das Tuas maravilhas.
2-4-2009
HAIKU (3)
O silêncio pousasob a pedra da montanha
onde uma águia morre.
(J.C.Brandão)
§§§§§§§§§§§§§
Haiku inédito em http://poetasalutor2.wordpress.com/
quarta-feira, abril 01, 2009
HAIKU (2)
terça-feira, março 31, 2009
segunda-feira, março 30, 2009
Limpeza feita na Primavera
Quadro de MagritteSpring is like a perhaps hand
arranging a window,
into which people look
e.e.cummings
Primavera é como a mão
que termina onde começam as flores
(que vêm cuidadosamente
de lado nenhum) e manda
numa janela, antes fechada
e agora espirra sol e pólen
em que as pessoas mudam
os seus olhos e modos
de falar sobre as coisas.
domingo, março 29, 2009
sábado, março 28, 2009
Se a depressão é hereditária ou não, como sabê-lo?

A poeta e o filho Nicholas, em 1962
Se a depressão é hereditária ou não, como sabê-lo? O que é possível, sim, é lamentar o suicídio de Nicholas Hughes, filho dos poetas Ted Hughes e Sylvia Plath que, como recordamos, deprimida pelo rompimento com seu marido tomou a decisão de se suicidar, com gaz, na sua sua casa de Londres.
Nicholas Hughes era um conhecido ambientalista e investigador da fauna marinha no Alaska. Diz-se que durante muitos anos foi injuriado – sobretudo por organizações feministas- por ter alegadamente contribuido com as suas infidelidades para o suicídio de sua mulher.
Quando Sylvia Plath se suicidou tomou a precaução de tapar com toalhas molhadas as frinchas da porta da cozinha, para não afectar os seus pequenos filhos Nicholas e Frieda, de um e dois anos de idade, respectivamente, os quais deixou aconchegados e a dormir no quarto ao lado, com bolachas e um copo de leite para cada um. Apesar de toda a atenção mediática que o caso recebeu, o marido Ted Hughes manteve oculta a verdade aos seus filhos até à adolescência de ambos.
( Magda Díaz Morales, in Blog Apostillas Literarias)
Trad. de Poeta Salutor
Quando Sylvia Plath se suicidou tomou a precaução de tapar com toalhas molhadas as frinchas da porta da cozinha, para não afectar os seus pequenos filhos Nicholas e Frieda, de um e dois anos de idade, respectivamente, os quais deixou aconchegados e a dormir no quarto ao lado, com bolachas e um copo de leite para cada um. Apesar de toda a atenção mediática que o caso recebeu, o marido Ted Hughes manteve oculta a verdade aos seus filhos até à adolescência de ambos.
Seis anos depois de Fevereiro de 1963, como se se tratasse de um pesadelo recorrente, a companheira do escritor, Assia Wevill, também se matou da mesma forma que Sylvia: intoxicando-se com gaz, só que nessa ocasião também morreu a filha de Ted e Assia, Shura.
Por causa do dramatismo desta história familiar – que foi inclusivamente transportada para o cinema, com o filme Sylvia, interpretada pela actriz Gwyneth Paltrow -, muitos dos comentários giram mais em torno dos suicídios do que em volta do talento literário de Sylvia e de Ted, que morreu de cancro em 1998.
( Magda Díaz Morales, in Blog Apostillas Literarias)
Trad. de Poeta Salutor
quinta-feira, março 26, 2009
Vincent
Vincent, procuras salvar a cadeira do seu destino do fogo
fazes rodopiar pincéis
nos campos de trigo e nos ângulos
da noite do teu coração
arde Arles na tua casa amarela
Tu logras sempre capturar a luz
espalhada em qualquer coisa
No vento, nas lâminas do sol
dos girassóis, nos teus cabelos fulvos
Na paleta as cores expulsam
a solidão das tuas planícies
como arrepiam nos teus olhos
os dias de verão e as noites estreladas.
quarta-feira, março 25, 2009
Haiku, no Porosidade Etérea
terça-feira, março 24, 2009
Excerto do poema Tulips, Sylvia Plath
(...)Perdi-me de mim e estou farta da minha bagagem-
Minha mala de couro aberta toda a noite como caixa de pílulas,
O marido e os filhos sorrindo no retrato de família;
Os seus sorrisos entram na minha pele, pequenos anzóis risonhos.
Minha mala de couro aberta toda a noite como caixa de pílulas,
O marido e os filhos sorrindo no retrato de família;
Os seus sorrisos entram na minha pele, pequenos anzóis risonhos.
(Trad. J.T.Parreira)
segunda-feira, março 23, 2009
A poesia do desespero
Via A Ovelha Perdida, o destaque para o suicídio do filho de Sylvia Plath
Now I have lost myself I am sick of baggage-
My patent leather overnight case like a black pillbox,
My husband and child smiling out of the family photo;
Their smiles catch onto my skin, little smiling hooks.
(Sylvia Plath)
Now I have lost myself I am sick of baggage-
My patent leather overnight case like a black pillbox,
My husband and child smiling out of the family photo;
Their smiles catch onto my skin, little smiling hooks.
(Sylvia Plath)
domingo, março 22, 2009
Nécrologie, notícia da morte de Van Gogh
A notícia da morte de Van Gogh, com um verso cortado pela censura, em que se falava sobre o cristal do céu. Ler também aqui http://poetasalutor2.wordpress.com/
sábado, março 21, 2009
Dia Mundial da Poesia
Num dia assim
Num dia assim
Iria para a rua com os bolsos
Preparados para receber as mãos
Sem destinatários da minha simpatia
Num dia assim, iria para a rua
Para estar comigo nos outros, com os dedos
Resolvidos a fazer grandes coisas
Tocar o cabelo das crianças, se isso
Não fosse pedofilia, amar
O próximo como a mim mesmo
Entrar com o jornal do dia
Um bilhete de comboio
Numa Ópera, pisar o chão de uma livraria
Onde toda a gente se acha doutorada
Num dia assim
Talvez passe por entre as esplanadas
Que estendem a primavera
Na cidade.
21-3-2009
Num dia assim
Iria para a rua com os bolsos
Preparados para receber as mãos
Sem destinatários da minha simpatia
Num dia assim, iria para a rua
Para estar comigo nos outros, com os dedos
Resolvidos a fazer grandes coisas
Tocar o cabelo das crianças, se isso
Não fosse pedofilia, amar
O próximo como a mim mesmo
Entrar com o jornal do dia
Um bilhete de comboio
Numa Ópera, pisar o chão de uma livraria
Onde toda a gente se acha doutorada
Num dia assim
Talvez passe por entre as esplanadas
Que estendem a primavera
Na cidade.
21-3-2009
Dia Mundial da Poesia
Iremos publicando, ao longo do dia, poemas nossos, inéditos, construídos no momento e inspirados em imagens. Eis o segundo ( escreve no Ovelha Perdida, o poeta Brissos Lino):O cachimbo de Neruda
O cachimbo de Neruda conhece
por dentro
a voz muda que percorre
o peito do poeta
quando sente a terra e as gentes
conhece o sabor
das palavras que sabem a mar
e sofrimento
conhece até os pensamentos alados
e calmos
de quem vê para lá
das águas.
(Brissos Lino , 21/3/09)
sexta-feira, março 20, 2009
Nécrologie

Van Gogh morreu no outro dia
um tiro
em Auvers estoirou a luz
ondulante das searas, um tiro
na cabeça de Van Gogh
as asas dos corvos
espantaram o azul.
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