
A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
quarta-feira, maio 27, 2009
terça-feira, maio 26, 2009
Macchu Picchu
Del aire al aire, como una red vacía
iba yo entre las calles y la atmósfera
Pablo Neruda
No silêncio agudo dos condores
o azul plana, as casas pousam
Nas correntes de ar
pousam sobre o planeta
As pedras pousadas
como pássaros
Tudo recomeça verde
a cada dia, só as sombras
trepam trémulas
pela noite.
iba yo entre las calles y la atmósfera
Pablo Neruda
No silêncio agudo dos condores
o azul plana, as casas pousam
Nas correntes de ar
pousam sobre o planeta
As pedras pousadas
como pássaros
Tudo recomeça verde
a cada dia, só as sombras
trepam trémulas
pela noite.
segunda-feira, maio 25, 2009
Casa de judeus, Europa, Ano 1942
O vento deve entrar agorapela porta em ruínas, pelas janelas
rasgadas na fronte da casa
Está a remexer gavetas
a redemoinhar na sala, como um gato
invisível
Duas malas não resistiram
à pressa, abriram vestidos
no soalho, segredos de alcova
Como nuvens sem forma, partiram
e apagaram-se no ar, um silêncio
dos sapatos nas pedras
sem os longos casacos pretos
em que passaram a noite
sem casa, a sós
com uma estrela.
sexta-feira, maio 22, 2009
quinta-feira, maio 21, 2009
"Depois de Cézanne", Lucien Freud
quarta-feira, maio 20, 2009
Mrs. Darwin
7 April 1852Went to the Zoo.
I said to Him--
Something about that Chimpanzee over there
reminds me of you.
(Carol Ann Duffy)
(Carol Ann Duffy)
The World's Wife surge de um conceito unificador: a escrita de poemas curtos em trinta vozes de mulheres/esposas diferentes, do ponto de vista social, da ciência, da literatura e da mitologia, etc. O Humor é a tónica dominante desta recolha da Poeta Laureada do Reino Unido.
Senhora Darwin
7 de Abril de 1852
7 de Abril de 1852
Fomos ao Zoo.
E eu disse-lhe --
Há qualquer coisa naquele Chimpanzé
que és tu.
(Trad.J.T.Parreira)
terça-feira, maio 19, 2009
El crimen fue en Granada
Machado num estilo e pose muito pessoanosEL CRIMEN FUE EN GRANADA: A FEDERICO GARCÍA LORCA
Antonio Machado
1. O Crime
Ele foi visto caminhando entre fuzis,
por uma rua larga,
saindo ao frio do campo,
ainda com as estrelas da madrugada.
Mataram Federico
quando a luz assomava.
O pelotão de verdugos
nem ousou ver-lhe a cara.
Todos fecharam os olhos;
rezaram: nem Deus te salva!
Morto caiu Federico
-sangue no rosto e chumbo nas entranhas-
...Pois foi em Granada o crime
-Saibam – pobre Granada!- na sua Granada.
(Tradução de J.T.Parreira)
segunda-feira, maio 18, 2009
A voz de Ipanema

Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Vinicius de Moraes
Quem vai a Ipanema
tem a praia cheia da voz do poeta
mesmo quando os azuis de Ipanema
desabotoam o ocaso
Nessa hora alguém que dorme na praia
com as pálpebras carregadas
do doce balanço do sono
canta a namoradinha tão bonita
escondida do sol atrás dos Prada
Eles guardam o brilho das sombras
dos seus olhos.
domingo, maio 17, 2009
sexta-feira, maio 15, 2009
Autógrafos (8) / O Poeta
quarta-feira, maio 13, 2009
A lição de banjo

Henry Ossawa Tanner
Onde entra a luz quente de uma lareira
e se adivinha o azul que vem do fundo
do universo, um horizonte em branco
que se atravessa na parede
Aí estava o esquecimento
do resto do mundo, dos poucos haveres
e uma natureza-morta sobre a mesa
num velho soalho de madeira
o ranger dos pobres
Velho e menino estão num ar azul
presos às mãos que vão tirando
do banjo o finíssimo silêncio
da poeira.
terça-feira, maio 12, 2009
Contos curtos
Picasso, Mulher com livroROUPA DE SAÍDA
A noite
Engomava
Minha roupa de saída
No ferro frio de cada dia.
(Galope noturno (Fortaleza, Banco do Nordeste do Brasil, 2007). Antônio Mário de Brito Nogueira nasceu em Viçosa do Ceará, em 1950. Eis um dos poemas daquele livro).
DECOTE
Dois quartos lunares
saem da blusa
O roxo do algodão
era um pôr do sol desusado
uma planície com horizonte
a perder-se dos olhares.
11/5/2009
(editado em http://poetasalutor2.wordpress.com/ )
segunda-feira, maio 11, 2009
A poesia como pintura
domingo, maio 10, 2009
Três Lorcas, Edição Especial
sábado, maio 09, 2009
ode a lorca
Samuca Santos:
ode a lorca
não, federico
os estudantes ainda não foram à praça
enfrentar os milicos
com meus poemas
e flores atiradas ao ar
(nem sei se algum dia)
não passei um happy xmas
sob a neve de manhattan
muito menos vi cordoba
lejana y sola
com a morte me mirando
desde suas torres
também não sei se algum dia
lembrarão dos meus poemas
com o fervor
que o mundo venera os teus
(cabogato, px, olinda 19.04.09)
ode a lorca
não, federico
os estudantes ainda não foram à praça
enfrentar os milicos
com meus poemas
e flores atiradas ao ar
(nem sei se algum dia)
não passei um happy xmas
sob a neve de manhattan
muito menos vi cordoba
lejana y sola
com a morte me mirando
desde suas torres
também não sei se algum dia
lembrarão dos meus poemas
com o fervor
que o mundo venera os teus
(cabogato, px, olinda 19.04.09)
sexta-feira, maio 08, 2009
Rei de Copas: Federico García Lorca

Mataron en Granada a Federico García.
No sabemos aún qué sacaron con ello.
No escuchamos el llanto del viento.
Enmudecimos con aquellos viles disparos.
Nada respondo acerca
de lo que estaban hilando
con las Parcas.
En el ataud
yacemos con hermosa frescura.
Erregeko Kopa: Federico Garcia Lorca
Federiko García Granadan hil zuten
Ez dakigu oraindik zer atera duten
Haizearen negarrik eztugu entzuten
Tiro doilor haiekin mututu ginduten
Eztut erantzuten
Zetzaz ziharduten
Parkekin iruten!
Eta katabuten
Freskura galantean ginaden etzuten.
( Gabriel Aresti, Bilbao -1933-1975 )
quarta-feira, maio 06, 2009
Tu
Estive contigo todo o dia no meu ouvidoà volta do meu pescoço
o teu perfume, de gotas brilhantes
invisíveis, na dupla palma
das minhas mãos o vento
trazia o minúsculo instante da poeira
Estive com os meus cabelos
sonhando com as tuas mãos
estive a respirar o ar
que deixaste para trás
guardei na minha retina a soma
do abrir e fechar dos teus olhos
o teu silêncio agora toca-se
em cada coisa que ficou
cuja textura é inquebrável
como uma lágrima.
A bebedora de Absinto, Lautrec
terça-feira, maio 05, 2009
Autógrafos (7)
(Brissos Lino)####################
À IMENSA MAIORIA
Aquí tenéis, en canto y alma, al hombre
Blas de Otero
Se não conheceis um coração
na boca de um homem
que errou,
aqui o tendes.
Uma parte
morreu em mim. A outra
entre o coração e a boca
ainda se espanta como um menino
que vê o perdão
como sorriso de Deus.
Saio à rua para todos os olhos
que me cruzam,
como se atravessa à névoa,
muito abertos
porém sem ninguém.
Aquí tenéis, en canto y alma, al hombre
Blas de Otero
Se não conheceis um coração
na boca de um homem
que errou,
aqui o tendes.
Uma parte
morreu em mim. A outra
entre o coração e a boca
ainda se espanta como um menino
que vê o perdão
como sorriso de Deus.
Saio à rua para todos os olhos
que me cruzam,
como se atravessa à névoa,
muito abertos
porém sem ninguém.
sábado, maio 02, 2009
Pessoa Drummondiano
No meio da paisagem tem um poeta.Graça Graúna.
No meio da calçada tem um poeta
tem uma mesa no meio da calçada
no meio da mesa
tem a mão cheia do orvalho da tarde
Na ponta de um braço tem outra mão
indicando o caminho
ao lado da mesa no meio da calçada
Ninguém se esquecerá que tem um poeta
que está em fogo
quando toma o sol no corpo.
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