Edição de 1979A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
quinta-feira, março 06, 2008
quarta-feira, março 05, 2008
Papel de Rascunho
papel de rascunho » 2007 » November
... latas do lixo não escondem o mau cheiro. Subo ao primeiro andar; Orelhas sujas dirige-me a navalha… Eu apalpo-lhe todos os relógios furtados. GREGORY CORSO. Tradução: J.T.Parreira
... latas do lixo não escondem o mau cheiro. Subo ao primeiro andar; Orelhas sujas dirige-me a navalha… Eu apalpo-lhe todos os relógios furtados. GREGORY CORSO. Tradução: J.T.Parreira
terça-feira, março 04, 2008
Mevsimsiz-Forum (Poesia traduzida para o turco)
Autores portugueses traduzidos por Vehbi Tasar
BIRAK ZAMAN YAPSIN GERİSİNİ/ Ana Paula İnacia
BOĞULAN SEVGİLİ/ Luís Vaz de Camões
BÜTÜN AŞK MEKTUPLARI GÜLÜNÇTÜR/ Fernando Pessoa
DİP NOT/ Jorge de Sena
KENDİ PSİKOGRAFI/ Fernando Pessao
KOYUN BAKICISI XXXIX/ Fernando Pessoa
STAYNVEY & OĞULLARI/ Joao Tomaz Parreira
ŞOPEN: BİR ENVANTER/ Jorge de Sena
UNUTMA BENI/ Rui Coias
YAZIN EN SON GÜNÜ/ José Tolentino Mendonça
BIRAK ZAMAN YAPSIN GERİSİNİ/ Ana Paula İnacia
BOĞULAN SEVGİLİ/ Luís Vaz de Camões
BÜTÜN AŞK MEKTUPLARI GÜLÜNÇTÜR/ Fernando Pessoa
DİP NOT/ Jorge de Sena
KENDİ PSİKOGRAFI/ Fernando Pessao
KOYUN BAKICISI XXXIX/ Fernando Pessoa
STAYNVEY & OĞULLARI/ Joao Tomaz Parreira
ŞOPEN: BİR ENVANTER/ Jorge de Sena
UNUTMA BENI/ Rui Coias
YAZIN EN SON GÜNÜ/ José Tolentino Mendonça
O Tempo que passou
segunda-feira, março 03, 2008
João Cabral de Melo Neto - A Paisagem Zero na Escrita Poética
Letras :
João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta do Brasil e diplomata, figura representativa e polémica - sempre indisposto contra coisas do seu tempo e da literatura - da Geração de 45, foi, sem dúvida, na quase totalidade da sua obra poética, um desconstrutor de paisagens.
João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta do Brasil e diplomata, figura representativa e polémica - sempre indisposto contra coisas do seu tempo e da literatura - da Geração de 45, foi, sem dúvida, na quase totalidade da sua obra poética, um desconstrutor de paisagens.
Depois do conhecidíssimo poema “Morte e Vida Severina” e dos cemitérios nordestinos reduziu a paisagem brasileira, social e humana, ao grau zero da existência.
Ele próprio afirmou, pouco antes de morrer, num canal de televisão brasileiro, em entrevista concedida já às escuras - estava quase cego - que fazia poesia com linguagem irónica, sem pena ou lágrimas, que iriam favorecer os cruéis.
Com efeito, J C M N assumiu o compromisso poético social com os excluídos, os deserdados do tecido sócio-económico brasileiro, aqueles homens, mulheres e crianças do Nordeste que sofreram a seca e deram azo a que se escrevesse sobre a geopolítica da fome. Desequilibrou - embora a ideia fosse ao contrário da sua Geração de 45 - os excessos literários do Modernismo brasileiro, enriquecendo no entanto o processo criador juntamente com outro grande poeta social, o autor de Rosa do Povo, Carlos Drummond de Andrade.
Nesta linha de procurar fazer os leitores reflectirem sobre as paisagens da morte, com rostos humanos sofredores - só com um paralelo em algumas grandes telas de Portinari -, criou com certeza inimizades literárias, rarefez o ar social de Pernambuco ao descrever, recriando pela desconstrução do símbolo, da imagem e do referente, os cemitérios nordestinos, por exemplo, neste poema em que ironiza com a morte :
“ Nenhum dos mortos daqui / vem vestido de caixão. / Portanto, eles não se enterram, / são derramados no chão.”
E causou obviamente polémicas, por vezes derivadas da sua tendência para a teorização, mal aceita pelos seus companheiros da Geração de 45, segundo os quais Melo Neto “era um teórico de formação anémica”. Em certo momento, as reacções foram de tal forma deselegantes que, na Revista de Poesia e Crítica, nº 7, de 1981, um dos articulistas afirmou “melhor mesmo é deixar Cabral com o seu realejo de repetir Severinos, ovos de galinha, engenhos, engenhos, ovos de galinha, Severinos.”
Sem dúvida que a grande poesia de ´João Cabral de Melo Neto é formada da repetição até à descontrutividade de um certo Brasil humano que foi tão dramático nos anos 40-60, o dos retirantes em que só o suor não secou, como agora são dramáticas também as realidades das Favelas, dos meninos da rua, dos massacres da Candelária. As paisagens, geofísicas e sociais, reduzidas a zero, pela visão do poeta autor de O Engenheiro, estão, de facto, patentes nos seus versos maiores, como o já referido Morte e Vida…, mas não apenas. Também surgem com enorme força em poemas do livro generalista Educação pela Pedra, ou em poemas dos livros que obedecem ao mesmo compromisso social, como Dois Parlamentos ou O Cão sem Plumas. Exactamente porque a plasticidade dos poemas de Melo Neto é toda nordestina, é a descrição de uma “paisagem zero”, que é no dizer do poeta a terra varrida de defuntos.
domingo, março 02, 2008
Aniversário em Manhattan
Abril 1999A poucas horas
para os 52,
a sair para a rua que treme
no chão, com sinais de fumo
para o futuro,
com uma esquina que dobra
os pés para a Lexington Avenue,
52 anos cheios
e atrás de mim uma história.
Adiante o futuro e os meus olhos
que vão atrás dos óculos e nuvens
indo e vindo entre o oceano
e Albany.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Tomas Tranströmer
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
domingo, fevereiro 24, 2008
Sozinho Todavia Muitos

Se pudesse eleger uma solidão
elegeria, a solidão
de uma cidade, de Lisboa
às primeiras horas matinais
uma arcada ainda cinzenta
mesas encerradas
de pé sobre a cinza
dos cigarros, a névoa
sobre o Tejo
sozinho todavia muitos
elegeria da solidão
Pessoa a sentar-se à mesa
a escrever Tejo como
um rio de ode
a falar com o eco
da sua voz nos outros.
22/2/2008
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Di Versos – Poesia e Tradução.

Saiu já o n.º 12 da revista Di Versos – Poesia e Tradução. A revista é coordenada por Jorge Vilhena Mesquita e José Carlos Marques. Neste número poderão encontrar poemas de António José Borges, António Salvado, Avelino de Sousa, César Vallejo e Juan Ramón Jiménez (traduzidos por Nicolau Saião), Claudio Rodríguez e Ricardo Paseyro (traduzidos por António Salvado), Cláudio Willer, Cristino Cortes, Dante (traduzido por Avelino de Sousa), e. e. cummings e Seamus Heaney (traduzidos por João Tomaz Parreira), Giannis Ritsos e René Char (traduzidos por José Carlos Marques), João Miguel Henriques, J. T. Parreira, Nicolau Saião, Rafael Rocha Daud, Rui Tinoco e Tomas Tranströmer (traduzido por José Carlos Marques, Anna Olsson e Sérgio Lopes).
Pedidos pelo telefax 229759592 e/ou contacto@sempreempe.pt
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Madrugadas
Levanta-se na ponta da cidadedepois por ela corre
primeiro os becos, que visita
por cima, abrindo a luz
nos rectângulos das janelas
há uma viela
logo ali que volta a acordar
as cercas dos quintais
o guardam
O sol entre silêncios e espasmos
das portas que se abrem
inunda depois as avenidas
desde as frestas às grandes
varandas de cristal.
19/2/2008
terça-feira, fevereiro 19, 2008
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Colóquio sobre Bocage há quase 30
domingo, fevereiro 17, 2008
Cabeça de Cuia
Cabeça de Cuia - Canção para a morte de um pássaro
Aqui um poema de J. T. Parreira ...
Aqui um poema de J. T. Parreira ...
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
El poeta es un fingidor

Todas las cartas de amor son
ridículas.
No serían cartas de amor si no fuesen
ridículas.
También escribi en mis tiempos cartas de amor,
como las demás,
ridículas.
Las cartas de amor, si hay amor,
tienen que ser
ridículas.
Pero, al final,
sólo las criaturas que nunca han escrito
cartas de amor
son las que son
ridículas.
(Álvaro de Campos)
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
domingo, fevereiro 10, 2008
Nº 1 da revista literária Abrelatas

Lançamento da Revista Abrelatas.
A edição número 01, contém textos dos seguintes autores: Adriano Esturilho, Ana Guimarães, Andrei Vasquez (México), Andréia Donadon Leal, Antonio Carlos Floriano, Beatriz Bajo, Benjamin Marchi, Candido Rolim, Carlos Emilio C Lima, Claudinei Damasceno Romão, Cláudio B Carlos, Eduardo Lacerda, Fabrício Marques, Fernando Aguiar, Geruza Zelnys,Giovana Bonifácio, J T Parreira (Portugal), James W Holloway, Jocelyn Pantoja (México), Joel Flores (México), Juan Fiorini, Karen Villeda (México), Leonardo Meimes,Luis Serguilha (Portugal), Mario Mariones, Me Morte, Nelson Marzullo Tangerini, Raimundo de Souza, Raul Koliev, Ricardo Araújo, Rogério Santos e Thiago Ponce de Moraes.
sábado, fevereiro 09, 2008
Aniversário

Quando fizer 61 envia-me
um postal roubado
num impulso adolescente
da mesma papelaria
que já não existe ninguém
dá por nada
um postal com música
frágil como todas as asas
de libélula
escrito com palavras
debruçadas para fora
a sairem das margens
manda-me um postal
com o teu cheiro
abrindo caminho entre as outras
cartas banais
um postal roubado às cores
dos lírios de um jardim nas dunas.
8-2-2008
um postal roubado
num impulso adolescente
da mesma papelaria
que já não existe ninguém
dá por nada
um postal com música
frágil como todas as asas
de libélula
escrito com palavras
debruçadas para fora
a sairem das margens
manda-me um postal
com o teu cheiro
abrindo caminho entre as outras
cartas banais
um postal roubado às cores
dos lírios de um jardim nas dunas.
8-2-2008
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Poema 24
LE FEU QUI DORT, Mário Dionísio
24
Falar a uma pedra que nos olha sem nos ver
Tocar a pele de um vidro que sem saber deslumbra
apalpar a suave terra que do seu poder não sabe nada
Cantar uma ária d’amor num céu oco que a repete
sem a escutar nem comover-se
Procurar o sorriso terno da lâmina
Andar sempre andar sempre esperar
o que não nasce nem surge apenas do acaso
do calor que flutua pela casa na procela
Conhecer
o fundo sem fim dos velhos espelhos
(Trad.J.T.Parreira)
24
Falar a uma pedra que nos olha sem nos ver
Tocar a pele de um vidro que sem saber deslumbra
apalpar a suave terra que do seu poder não sabe nada
Cantar uma ária d’amor num céu oco que a repete
sem a escutar nem comover-se
Procurar o sorriso terno da lâmina
Andar sempre andar sempre esperar
o que não nasce nem surge apenas do acaso
do calor que flutua pela casa na procela
Conhecer
o fundo sem fim dos velhos espelhos
(Trad.J.T.Parreira)
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Alta Velocidade
(Já em 1992( data da foto) tínhamos.)CANÇÃO DA PARADA DO LUCAS
Parada do Lucas
-O trem não parou.
Ah, se o trem parasse
minha alma incendiada
Pediria à Noite
Dois seios intactos.
Parada do Lucas.
-O trem não parou.
Ah, se o trem parasse
Eu iria aos mangues
Dormir na escureza
Das águas defuntas.
Parada do Lucas.
-O trem não parou.
Nada aconteceu
Senão a lembrança
Do crime espantoso
Que o tempo engoliu.
(Manuel Bandeira)
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Há Lodo no Cais
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Rapariga com brinco de pérola
Poema do Poema do Bandeira
em poema bem gizado
que um tal João Gostoso
"bebeu
cantou
dançou
depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas
e morreu afogado"
E que belo lugar para um filho do Rio
morrer afogado
sem frio
direi eu
em especial depois de
beber
cantar
dançar
nada mais pode ser perigoso
sentiu o João Gostoso.
(Brissos Lino)
sábado, fevereiro 02, 2008
Tradução para Turco
Mevsimsiz Forum >
STAYNVEY & OĞULLARI
Joao Tomaz Parreira (1947-)
Üç bacağı Staynvey’in
yerin üstündeki damarların içersinde
kuşlardan bir senfoniyi havaya kaldırır
zarif bacakları
Staynvey’in
bir kadın gibi
dinlediğimiz
aheste beste
siyah elbisesinin içersinde.
(Çeviren: Vehbi Taşar)
STEINWAY & SONS
by Joao Tomaz Parreira (1947-)
Three legs of the Steinway
raise a symphony of birds
in the veins above of the floor
the elegant legs
of the Steinway
as a woman
whom we listened
slowly
in its black dress.
STAYNVEY & OĞULLARI
Joao Tomaz Parreira (1947-)
Üç bacağı Staynvey’in
yerin üstündeki damarların içersinde
kuşlardan bir senfoniyi havaya kaldırır
zarif bacakları
Staynvey’in
bir kadın gibi
dinlediğimiz
aheste beste
siyah elbisesinin içersinde.
(Çeviren: Vehbi Taşar)
STEINWAY & SONS
by Joao Tomaz Parreira (1947-)
Three legs of the Steinway
raise a symphony of birds
in the veins above of the floor
the elegant legs
of the Steinway
as a woman
whom we listened
slowly
in its black dress.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Como Abraão
Ora mordo Come un bambino la mammella
lo spazio
Giuseppe Ungaretti
Morde
como um menino os seios
da Via Láctea
Na boca aberta um espanto
sorve o leite matinal
que vai nascer
da aurora
Enquanto isso procura
entre as distâncias
das estrelas
os nebulosos mares
Tudo o que está velado
procura
perde o inacabado número
das estrelas
e regressa ao zero
e recomeça do que sobra
do coração
cansado.
30/1/2008
terça-feira, janeiro 29, 2008
A Imobiliária
A casa vende-se assim, imóvel
no chão, os objectos na penumbra
deixados na dimensão do natural
sobre um móvel e também
ao fundo da memória
A mesa de que tanta boca dependeu
a um canto um sofá disciplinado
fazem parte do recheio
A porta verde à frente, que não abre
a luz para os insectos
a colcha amarelada sobre a cama
cinco almofadas melancólicas
ficarão no reflexo do espelho
que abre na parede o infinito.
22-11-2007
no chão, os objectos na penumbra
deixados na dimensão do natural
sobre um móvel e também
ao fundo da memória
A mesa de que tanta boca dependeu
a um canto um sofá disciplinado
fazem parte do recheio
A porta verde à frente, que não abre
a luz para os insectos
a colcha amarelada sobre a cama
cinco almofadas melancólicas
ficarão no reflexo do espelho
que abre na parede o infinito.
22-11-2007
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Delmore Schwartz, um poema
Na cama nua, na Caverna de Platão(In the Naked Bed, in Plato's Cave)
Na caverna de Platão, nua
A cama com as luzes reflectidas
A deslizarem na parede,
E carpinteiros que martelam na sombra
Debaixo da janela,
O vento agitou as cortinas toda a noite,
Uma frota de camiões rua acima, relinchando,
Com a carga coberta, como de costume.
O tecto acendeu-se outra vez, um quadrado
Deslizando para as paredes.
Ao escutar os passos do leiteiro,
Seu esforço pelas escadas, o tilintar das garrafas,
Levantei-me da cama, acendi um cigarro,
e andei para a janela. A rua empedrada
Estendia a quietude que vinha das casas,
A vigília dos postes de luz e a paciência do cavalo.
O puro capital que temos num céu de inverno
Fez-me voltar para a cama de olhos exaustos.
(Trad. J.T.Parreira)
sábado, janeiro 26, 2008
Dobrada à moda do Porto
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Álvaro de Campos)
quinta-feira, janeiro 24, 2008
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no
morro da Babilónia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
(Manuel Bandeira)
morro da Babilónia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
(Manuel Bandeira)
terça-feira, janeiro 22, 2008
Na revista CRONÓPIOS
Em Matérias>>Artigos Os Cafés Literários inventados na escrita : o jornalista português João Tomaz Parreira escreve sobre a presença dos Cafés nas obras de muitos escritores. Confira.
Em Matérias>>Ensaios Mário de Andrade e Álvaro de Campos: uma identidade. O poeta e jornalista português João Tomaz Parreira multiplica-se para entender os poetas da língua portuguesa.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Dossiê Delmore Schwartz na CRITÉRIO
J. T. Parreira>Tradução de "America America"...O dinheiro, nessa sociedade, passou a ser um fim em si mesmo, fetichizado, a ponto de os meios de que a sociedade dispõe para alcançar os seus objetivos qualitativos terem se transformado numa potência independente>>leia artigo>O poeta projectado no Hudson River...Essa ausência de interrogação direta do próprio tempo no texto poético é como que sinônimo de ausência de rebeldia, trocada pelo gosto por um beletrismo que promete a ilusão de ascendência fácil ao panteão da academia>>leia artigo
A revista insere também textos de Virna Teixeira e Alexandre Andrade.
domingo, janeiro 20, 2008
sexta-feira, janeiro 18, 2008
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Marilyn Monroe

"made your lips more real with lipstick"
Allen Ginsberg
Tornas os teus lábios mais reais
Com baton, os teus lábios
Vermelhos
Engolem uma plateia
Cheia de olhos.
16/1/2008
&
As Meninas de Diego Velásquez, estão aqui
As meninas de Velásquez
quarta-feira, janeiro 16, 2008
terça-feira, janeiro 15, 2008
segunda-feira, janeiro 14, 2008
A Poesia surrealista de Lorca
Estava no terraço lutando com a lua.
Enxames de janelas crivavam um músculo da noite.
Nos meus olhos bebiam as doces vacas dos céus
e as brisas de largos remos
golpeavam os cinzentos cristais da Broadway.
A gota de sangue buscava a luz da gema do astro
para fingir uma semente morta de maçã.
O ar da planura, impelido pelos pastores,
tremia com um medo de molusco sem concha.
de Poeta en Nueva York
(«Danza de la Muerte»)
(Trad. J.T.Parreira)
Enxames de janelas crivavam um músculo da noite.
Nos meus olhos bebiam as doces vacas dos céus
e as brisas de largos remos
golpeavam os cinzentos cristais da Broadway.
A gota de sangue buscava a luz da gema do astro
para fingir uma semente morta de maçã.
O ar da planura, impelido pelos pastores,
tremia com um medo de molusco sem concha.
de Poeta en Nueva York
(«Danza de la Muerte»)
(Trad. J.T.Parreira)
domingo, janeiro 13, 2008
Music Under New York
Ter viajado debaixo de Nova Iorque
com a música a travar
os nossos passos
Há algo sobre esta quietude
nas ruas debaixo de Manhattan
não há pó
E aqueles trens o que estão a fazer
debaixo de Nova Iorque
é a parte sólida da música.
12/1/2008
com a música a travar
os nossos passos
Há algo sobre esta quietude
nas ruas debaixo de Manhattan
não há pó
E aqueles trens o que estão a fazer
debaixo de Nova Iorque
é a parte sólida da música.
12/1/2008
sábado, janeiro 12, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
Helena de Tróia
Helena de Tróia
Ao contrário das mulheres de Atenas
a bela Helena foi rastilho
de guerra
entre gregos e troianos
o mar Egeu não conteve as lágrimas
da cidade destruída
por um cavalo de pau.
Está-lhes nos genes
as mulheres
ou fazem a guerra
ou sofrem-na.
Palmela, Janeiro de 2007
(Brissos Lino)
Ao contrário das mulheres de Atenas
a bela Helena foi rastilho
de guerra
entre gregos e troianos
o mar Egeu não conteve as lágrimas
da cidade destruída
por um cavalo de pau.
Está-lhes nos genes
as mulheres
ou fazem a guerra
ou sofrem-na.
Palmela, Janeiro de 2007
(Brissos Lino)
segunda-feira, janeiro 07, 2008
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Encomenda a Stravinsky
Uma partitura onde desça a músicade onde um arco
de violino atire uma pomba
e uma ampla mão conduza
de onde uma profunda
garganta sopre desde a alma
(enquanto Stravinsky
acendes pássaros)
A partitura de onde os anjos
puxem as rédeas dos címbalos
e pastores anoiteçam os rebanhos
nas vigílias do céu
A partitura de onde um arco
de cello serre o silêncio.
3/1/2007
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Um poema de Ángel González

EL OTOÑO SE ACERCA
El otoño se acerca con muy poco ruido:
apagadas cigarras, unos grillos apenas,
defiendem el reducto
de un verano obstinado en perpetuarse,
cuya suntuosa cola aún brilla hacia el oeste.
Se diría que aquí no pasa nada,
pero un silencio súbito ilumina el prodigio:
ha pasado
un ángel
que se llamaba luz, o fuego, o vida.
Y lo perdimos para siempre.
O OUTONO APROXIMA-SE
O outono aproxima-se sem muito barulho:
cigarras apagadas, apenas grilos
que defendem o reducto
de um verão obstinado em ser eterno,
cujo rasto esplêndido ainda brilha no oeste.
Dir-se-ia que aqui nada se passa,
mas um silêncio súbito ilumina o prodígio:
passou
um anjo
que se chamava luz, ou fogo, ou vida.
E perdemo-lo para sempre.
(Trad.J.T.Parreira)
El otoño se acerca con muy poco ruido:
apagadas cigarras, unos grillos apenas,
defiendem el reducto
de un verano obstinado en perpetuarse,
cuya suntuosa cola aún brilla hacia el oeste.
Se diría que aquí no pasa nada,
pero un silencio súbito ilumina el prodigio:
ha pasado
un ángel
que se llamaba luz, o fuego, o vida.
Y lo perdimos para siempre.
O OUTONO APROXIMA-SE
O outono aproxima-se sem muito barulho:
cigarras apagadas, apenas grilos
que defendem o reducto
de um verão obstinado em ser eterno,
cujo rasto esplêndido ainda brilha no oeste.
Dir-se-ia que aqui nada se passa,
mas um silêncio súbito ilumina o prodígio:
passou
um anjo
que se chamava luz, ou fogo, ou vida.
E perdemo-lo para sempre.
(Trad.J.T.Parreira)
domingo, dezembro 30, 2007
No princípio do século vinte
Picasso, Mulher a lerMulher que lê o jornal
Notícias da província
do país
do mundo
os balões de ar quente
o zeppelin
o primeiro aeroplano
telefonia sem fios
sufragistas
naturalistas e novas descobertas
mora tudo nas páginas do jornal
que ela lê
absorta
o romance de Zola
a poesia de Junqueiro
os desenhos de Bordalo
o borda d’água
as modas de Paris
a balzaquiana de trinta anos
devora o jornal
com persistente interesse
a pressentir que a vida
afinal
não termina na soleira da porta
nem o mundo no fim da rua.
(Brissos Lino)
(Brissos Lino)
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Sylvia and Ted
sábado, dezembro 22, 2007
America, by Gertrude Stein

Once in English they said America. Was it English to them.
Once they said Belgian.
We like a fog.
Do you for weather.
Are we brave.
Are we true.
Have we the national colour.
Can we stand ditches.
Can we mean well.
Do we talk together.
Have we red cross.
A great many people speak of feet.
And socks.
AMÉRICA
AMÉRICA
Uma vez em inglês disseram América. Era inglês para eles.
Uma vez disseram em belga.
Nós gostamos da névoa.
Contribuímos para a atmosfera.
Somos os bravos.
Somos os verdadeiros.
Temos a cor nacional.
Podemos pôr o pé na poça.
Significamos muito.
Falamos ao mesmo tempo.
Nós temos a cruz vermelha.
Muita gente fala de pés.
E peúgas.
Uma vez disseram em belga.
Nós gostamos da névoa.
Contribuímos para a atmosfera.
Somos os bravos.
Somos os verdadeiros.
Temos a cor nacional.
Podemos pôr o pé na poça.
Significamos muito.
Falamos ao mesmo tempo.
Nós temos a cruz vermelha.
Muita gente fala de pés.
E peúgas.
(Trad. J.T.Parreira)
sexta-feira, dezembro 21, 2007
O não ter Senhor começado uma rua
O não ter havido Senhor para ti
lugar na cidade, nas mãos
que deveriam ungir-te, até
lugar na voz que prometera
do fundo dos dias cantar-te
O não ter havido Senhor uma porta
uma casa cheia para receber-te
um espaço entre os peitos
de todas as mães, um olhar
onde morasses com ternura
uma casa cheia para receber-te
um espaço entre os peitos
de todas as mães, um olhar
onde morasses com ternura
O não ter Senhor começado uma rua
à espera do teu Nome
nem ainda hoje quando passas
Senhor no rosto de um homem
ou uma mulher feliz por te acolher.
à espera do teu Nome
nem ainda hoje quando passas
Senhor no rosto de um homem
ou uma mulher feliz por te acolher.
Bom Natal para todos que passem por aqui!
quinta-feira, dezembro 20, 2007
O Tempo que passou
terça-feira, dezembro 18, 2007
Presentación del libro DISTANCIA

Da poeta brasileira minha amiga, Virna Teixeira, tradução de Jair Cortés e Berenice Huerta,
apresentado em Puebla, México, em Novembro.
Um poema cedido pela autora para Poeta Salutor:
EPIDERMIS
pudiera recortar un
instante — éste
cuando la luz, lúgubre
en los ojos
disipa
desnudez, leve toque
en los hombros
lunares
pudiera recortar un
instante — éste
cuando la luz, lúgubre
en los ojos
disipa
desnudez, leve toque
en los hombros
lunares
domingo, dezembro 16, 2007
Poeta sem saber onde pôr as mãos
O poeta Laurence Ferlinghetti na sua livrariaAs mãos estão nos bolsos
com todas as suas lembranças,
protegidas
da vergonha por estarem vazias.
As mãos têm frio
fora dos bolsos, no vento
encanado entre os dedos.
Por isto,
Onde pôr as minhas mãos
tão solitárias, ao longo
do admirável corpo?
O poeta não sabe em cada manhã
entre tantos ofícios
onde cabem as suas mãos.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
outro Pollock no soalho
quinta-feira, dezembro 13, 2007
quarta-feira, dezembro 12, 2007
terça-feira, dezembro 11, 2007
Sodoma e Gomorra

CIDADE MALDITA
eis um dos capítulos mais tristes
da Bíblia -
Génesis 19
À porta de Sodoma
Loth assentado
desenha pensamentos
inéditos
de Deus
de costas
para a cidade
e os anjos aguardam
nas dobras da meditação
os olhos do residente
à casa de Loth
acorrem três gerações
de delitos
a ultrajar os céus
de noite todos os anjos são pardos
…………………………………
e a saudade foi estátua
de coração abandonado
às veias
salgadas
da terra maldita.
eis um dos capítulos mais tristes
da Bíblia -
Génesis 19
À porta de Sodoma
Loth assentado
desenha pensamentos
inéditos
de Deus
de costas
para a cidade
e os anjos aguardam
nas dobras da meditação
os olhos do residente
à casa de Loth
acorrem três gerações
de delitos
a ultrajar os céus
de noite todos os anjos são pardos
…………………………………
e a saudade foi estátua
de coração abandonado
às veias
salgadas
da terra maldita.
(Brissos Lino)
domingo, dezembro 09, 2007
No próximo Natal em Belém

Que criança regressa agora
a Belém para nascer? Hoje,
há um avião que bate
nos arcanos do tempo,
um carro de combate que regula
a pontaria onde começa o homem, uma casa
fechada atrás de sulcos
na parede, há novelos farpados de arame
para enredar os pés, e as estrelas
procuram-se com olhos cabisbaixos.
Hoje que criança transgride
o recolher obrigatório?
E vem nascer em Belém
num leito onde deitam a boca
os animais
e o silêncio das línguas?
quarta-feira, dezembro 05, 2007
terça-feira, dezembro 04, 2007
Um Poeta Pernambucano
O PÁSSARO SEM VOO
O pássaro sem vôo, solto na sala,
ficou sendo um brinquedo de criança
Que lhe importa a manhã?
Por que saudá-la,
Se a cantiga desperta a mão que o alcança?
De que lhe vale o canto? O canto é apenas
alegria de estranhos
Não é tudo.
O canto é inútil como são as penas.
O pássaro sem vôo, cantando, é mudo.
(José Chagas -Pernambuco, 1924-)
O pássaro sem vôo, solto na sala,
ficou sendo um brinquedo de criança
Que lhe importa a manhã?
Por que saudá-la,
Se a cantiga desperta a mão que o alcança?
De que lhe vale o canto? O canto é apenas
alegria de estranhos
Não é tudo.
O canto é inútil como são as penas.
O pássaro sem vôo, cantando, é mudo.
(José Chagas -Pernambuco, 1924-)
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Brissos Lino, Poeta entre Tróia e o Vau
O Dr. Brissos Lino nasceu em Lisboa. Tem formação de base em Ciências da Religião (Doutoramento), o Mestrado em Relação de Ajuda(ISPA), é também Pós-Graduado em Gestão de Stress, pela Universidade Independente. É membro da Direcção da Associação Portuguesa de Psicoterapia Centrada na Pessoa e de Counselling (APPCPC), e membro do Grupo Português de Psiquiatria Consiliar e de Ligação (GPPC/L). É Professor universitário, Psicoterapeuta e Formador, sendo autor de diversos artigos em revistas científicas e comunicações em congressos científicos.
O ano de 1972 é o ponto mais antigo do encontro de que me recordo, com o meu Amigo Brissos Lino na Poesia. Sobretudo na Poesia de inspiração cristã evangélica.
BARCO À VELA
Um pequeno barco à vela
lá muito ao longe, no mar
parece que não se move
mas percebe-se a navegar.
O vento de feição curva-lhe as velas
brancas de paz
havendo ondas ou mar chão
tanto faz.
O Sol brilha no casco, também alvo
e os dois tripulantes, de tronco nu e luzidio
concentram-se nas tarefas de marinhagem
sem calor nem frio.
Mas se uma sereia levantar a voz do canto
e os atrair ao perigo
aí vou-me lembrar que tudo isto não passa
afinal
de um simples quadro a óleo
pendurado na parede
da sala
mesmo ao lado do postigo.
Praia do Vau, Agosto de 2007
(Do livro inédito, "Princesa Triste")
O ano de 1972 é o ponto mais antigo do encontro de que me recordo, com o meu Amigo Brissos Lino na Poesia. Sobretudo na Poesia de inspiração cristã evangélica.
BARCO À VELA
Um pequeno barco à vela
lá muito ao longe, no mar
parece que não se move
mas percebe-se a navegar.
O vento de feição curva-lhe as velas
brancas de paz
havendo ondas ou mar chão
tanto faz.
O Sol brilha no casco, também alvo
e os dois tripulantes, de tronco nu e luzidio
concentram-se nas tarefas de marinhagem
sem calor nem frio.
Mas se uma sereia levantar a voz do canto
e os atrair ao perigo
aí vou-me lembrar que tudo isto não passa
afinal
de um simples quadro a óleo
pendurado na parede
da sala
mesmo ao lado do postigo.
Praia do Vau, Agosto de 2007
(Do livro inédito, "Princesa Triste")
sábado, dezembro 01, 2007
O "Godot" afro-americano
sexta-feira, novembro 30, 2007
O Hóspede
Os díscipulos de Emaús, de CaravaggioDepois da noite se instalar
ao redor do fogo, abrir
sobre a cama um espaço
para o corpo se atirar
e lençóis que ainda trazem
os perfumes da manhã
alguém chega, entrou
pela noite com olhos indecisos
e sonhos de distância
traz sono e estremece
à mais pequena folha
que cai na noite fresca
esse alguém onde o vedes
pode trazer um coração
lavado, uma metáfora
dissonante, molhos
de palavras, e partindo
o pão, abrir os nossos olhos.
15/10/2007
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