Helena de Tróia
Ao contrário das mulheres de Atenas
a bela Helena foi rastilho
de guerra
entre gregos e troianos
o mar Egeu não conteve as lágrimas
da cidade destruída
por um cavalo de pau.
Está-lhes nos genes
as mulheres
ou fazem a guerra
ou sofrem-na.
Palmela, Janeiro de 2007
(Brissos Lino)
A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
terça-feira, janeiro 08, 2008
segunda-feira, janeiro 07, 2008
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Encomenda a Stravinsky
Uma partitura onde desça a músicade onde um arco
de violino atire uma pomba
e uma ampla mão conduza
de onde uma profunda
garganta sopre desde a alma
(enquanto Stravinsky
acendes pássaros)
A partitura de onde os anjos
puxem as rédeas dos címbalos
e pastores anoiteçam os rebanhos
nas vigílias do céu
A partitura de onde um arco
de cello serre o silêncio.
3/1/2007
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Um poema de Ángel González

EL OTOÑO SE ACERCA
El otoño se acerca con muy poco ruido:
apagadas cigarras, unos grillos apenas,
defiendem el reducto
de un verano obstinado en perpetuarse,
cuya suntuosa cola aún brilla hacia el oeste.
Se diría que aquí no pasa nada,
pero un silencio súbito ilumina el prodigio:
ha pasado
un ángel
que se llamaba luz, o fuego, o vida.
Y lo perdimos para siempre.
O OUTONO APROXIMA-SE
O outono aproxima-se sem muito barulho:
cigarras apagadas, apenas grilos
que defendem o reducto
de um verão obstinado em ser eterno,
cujo rasto esplêndido ainda brilha no oeste.
Dir-se-ia que aqui nada se passa,
mas um silêncio súbito ilumina o prodígio:
passou
um anjo
que se chamava luz, ou fogo, ou vida.
E perdemo-lo para sempre.
(Trad.J.T.Parreira)
El otoño se acerca con muy poco ruido:
apagadas cigarras, unos grillos apenas,
defiendem el reducto
de un verano obstinado en perpetuarse,
cuya suntuosa cola aún brilla hacia el oeste.
Se diría que aquí no pasa nada,
pero un silencio súbito ilumina el prodigio:
ha pasado
un ángel
que se llamaba luz, o fuego, o vida.
Y lo perdimos para siempre.
O OUTONO APROXIMA-SE
O outono aproxima-se sem muito barulho:
cigarras apagadas, apenas grilos
que defendem o reducto
de um verão obstinado em ser eterno,
cujo rasto esplêndido ainda brilha no oeste.
Dir-se-ia que aqui nada se passa,
mas um silêncio súbito ilumina o prodígio:
passou
um anjo
que se chamava luz, ou fogo, ou vida.
E perdemo-lo para sempre.
(Trad.J.T.Parreira)
domingo, dezembro 30, 2007
No princípio do século vinte
Picasso, Mulher a lerMulher que lê o jornal
Notícias da província
do país
do mundo
os balões de ar quente
o zeppelin
o primeiro aeroplano
telefonia sem fios
sufragistas
naturalistas e novas descobertas
mora tudo nas páginas do jornal
que ela lê
absorta
o romance de Zola
a poesia de Junqueiro
os desenhos de Bordalo
o borda d’água
as modas de Paris
a balzaquiana de trinta anos
devora o jornal
com persistente interesse
a pressentir que a vida
afinal
não termina na soleira da porta
nem o mundo no fim da rua.
(Brissos Lino)
(Brissos Lino)
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Sylvia and Ted
sábado, dezembro 22, 2007
America, by Gertrude Stein

Once in English they said America. Was it English to them.
Once they said Belgian.
We like a fog.
Do you for weather.
Are we brave.
Are we true.
Have we the national colour.
Can we stand ditches.
Can we mean well.
Do we talk together.
Have we red cross.
A great many people speak of feet.
And socks.
AMÉRICA
AMÉRICA
Uma vez em inglês disseram América. Era inglês para eles.
Uma vez disseram em belga.
Nós gostamos da névoa.
Contribuímos para a atmosfera.
Somos os bravos.
Somos os verdadeiros.
Temos a cor nacional.
Podemos pôr o pé na poça.
Significamos muito.
Falamos ao mesmo tempo.
Nós temos a cruz vermelha.
Muita gente fala de pés.
E peúgas.
Uma vez disseram em belga.
Nós gostamos da névoa.
Contribuímos para a atmosfera.
Somos os bravos.
Somos os verdadeiros.
Temos a cor nacional.
Podemos pôr o pé na poça.
Significamos muito.
Falamos ao mesmo tempo.
Nós temos a cruz vermelha.
Muita gente fala de pés.
E peúgas.
(Trad. J.T.Parreira)
sexta-feira, dezembro 21, 2007
O não ter Senhor começado uma rua
O não ter havido Senhor para ti
lugar na cidade, nas mãos
que deveriam ungir-te, até
lugar na voz que prometera
do fundo dos dias cantar-te
O não ter havido Senhor uma porta
uma casa cheia para receber-te
um espaço entre os peitos
de todas as mães, um olhar
onde morasses com ternura
uma casa cheia para receber-te
um espaço entre os peitos
de todas as mães, um olhar
onde morasses com ternura
O não ter Senhor começado uma rua
à espera do teu Nome
nem ainda hoje quando passas
Senhor no rosto de um homem
ou uma mulher feliz por te acolher.
à espera do teu Nome
nem ainda hoje quando passas
Senhor no rosto de um homem
ou uma mulher feliz por te acolher.
Bom Natal para todos que passem por aqui!
quinta-feira, dezembro 20, 2007
O Tempo que passou
terça-feira, dezembro 18, 2007
Presentación del libro DISTANCIA

Da poeta brasileira minha amiga, Virna Teixeira, tradução de Jair Cortés e Berenice Huerta,
apresentado em Puebla, México, em Novembro.
Um poema cedido pela autora para Poeta Salutor:
EPIDERMIS
pudiera recortar un
instante — éste
cuando la luz, lúgubre
en los ojos
disipa
desnudez, leve toque
en los hombros
lunares
pudiera recortar un
instante — éste
cuando la luz, lúgubre
en los ojos
disipa
desnudez, leve toque
en los hombros
lunares
domingo, dezembro 16, 2007
Poeta sem saber onde pôr as mãos
O poeta Laurence Ferlinghetti na sua livrariaAs mãos estão nos bolsos
com todas as suas lembranças,
protegidas
da vergonha por estarem vazias.
As mãos têm frio
fora dos bolsos, no vento
encanado entre os dedos.
Por isto,
Onde pôr as minhas mãos
tão solitárias, ao longo
do admirável corpo?
O poeta não sabe em cada manhã
entre tantos ofícios
onde cabem as suas mãos.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
outro Pollock no soalho
quinta-feira, dezembro 13, 2007
quarta-feira, dezembro 12, 2007
terça-feira, dezembro 11, 2007
Sodoma e Gomorra

CIDADE MALDITA
eis um dos capítulos mais tristes
da Bíblia -
Génesis 19
À porta de Sodoma
Loth assentado
desenha pensamentos
inéditos
de Deus
de costas
para a cidade
e os anjos aguardam
nas dobras da meditação
os olhos do residente
à casa de Loth
acorrem três gerações
de delitos
a ultrajar os céus
de noite todos os anjos são pardos
…………………………………
e a saudade foi estátua
de coração abandonado
às veias
salgadas
da terra maldita.
eis um dos capítulos mais tristes
da Bíblia -
Génesis 19
À porta de Sodoma
Loth assentado
desenha pensamentos
inéditos
de Deus
de costas
para a cidade
e os anjos aguardam
nas dobras da meditação
os olhos do residente
à casa de Loth
acorrem três gerações
de delitos
a ultrajar os céus
de noite todos os anjos são pardos
…………………………………
e a saudade foi estátua
de coração abandonado
às veias
salgadas
da terra maldita.
(Brissos Lino)
domingo, dezembro 09, 2007
No próximo Natal em Belém

Que criança regressa agora
a Belém para nascer? Hoje,
há um avião que bate
nos arcanos do tempo,
um carro de combate que regula
a pontaria onde começa o homem, uma casa
fechada atrás de sulcos
na parede, há novelos farpados de arame
para enredar os pés, e as estrelas
procuram-se com olhos cabisbaixos.
Hoje que criança transgride
o recolher obrigatório?
E vem nascer em Belém
num leito onde deitam a boca
os animais
e o silêncio das línguas?
quarta-feira, dezembro 05, 2007
terça-feira, dezembro 04, 2007
Um Poeta Pernambucano
O PÁSSARO SEM VOO
O pássaro sem vôo, solto na sala,
ficou sendo um brinquedo de criança
Que lhe importa a manhã?
Por que saudá-la,
Se a cantiga desperta a mão que o alcança?
De que lhe vale o canto? O canto é apenas
alegria de estranhos
Não é tudo.
O canto é inútil como são as penas.
O pássaro sem vôo, cantando, é mudo.
(José Chagas -Pernambuco, 1924-)
O pássaro sem vôo, solto na sala,
ficou sendo um brinquedo de criança
Que lhe importa a manhã?
Por que saudá-la,
Se a cantiga desperta a mão que o alcança?
De que lhe vale o canto? O canto é apenas
alegria de estranhos
Não é tudo.
O canto é inútil como são as penas.
O pássaro sem vôo, cantando, é mudo.
(José Chagas -Pernambuco, 1924-)
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Brissos Lino, Poeta entre Tróia e o Vau
O Dr. Brissos Lino nasceu em Lisboa. Tem formação de base em Ciências da Religião (Doutoramento), o Mestrado em Relação de Ajuda(ISPA), é também Pós-Graduado em Gestão de Stress, pela Universidade Independente. É membro da Direcção da Associação Portuguesa de Psicoterapia Centrada na Pessoa e de Counselling (APPCPC), e membro do Grupo Português de Psiquiatria Consiliar e de Ligação (GPPC/L). É Professor universitário, Psicoterapeuta e Formador, sendo autor de diversos artigos em revistas científicas e comunicações em congressos científicos.
O ano de 1972 é o ponto mais antigo do encontro de que me recordo, com o meu Amigo Brissos Lino na Poesia. Sobretudo na Poesia de inspiração cristã evangélica.
BARCO À VELA
Um pequeno barco à vela
lá muito ao longe, no mar
parece que não se move
mas percebe-se a navegar.
O vento de feição curva-lhe as velas
brancas de paz
havendo ondas ou mar chão
tanto faz.
O Sol brilha no casco, também alvo
e os dois tripulantes, de tronco nu e luzidio
concentram-se nas tarefas de marinhagem
sem calor nem frio.
Mas se uma sereia levantar a voz do canto
e os atrair ao perigo
aí vou-me lembrar que tudo isto não passa
afinal
de um simples quadro a óleo
pendurado na parede
da sala
mesmo ao lado do postigo.
Praia do Vau, Agosto de 2007
(Do livro inédito, "Princesa Triste")
O ano de 1972 é o ponto mais antigo do encontro de que me recordo, com o meu Amigo Brissos Lino na Poesia. Sobretudo na Poesia de inspiração cristã evangélica.
BARCO À VELA
Um pequeno barco à vela
lá muito ao longe, no mar
parece que não se move
mas percebe-se a navegar.
O vento de feição curva-lhe as velas
brancas de paz
havendo ondas ou mar chão
tanto faz.
O Sol brilha no casco, também alvo
e os dois tripulantes, de tronco nu e luzidio
concentram-se nas tarefas de marinhagem
sem calor nem frio.
Mas se uma sereia levantar a voz do canto
e os atrair ao perigo
aí vou-me lembrar que tudo isto não passa
afinal
de um simples quadro a óleo
pendurado na parede
da sala
mesmo ao lado do postigo.
Praia do Vau, Agosto de 2007
(Do livro inédito, "Princesa Triste")
sábado, dezembro 01, 2007
O "Godot" afro-americano
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