um riso sem um
rosto(um olhar
sem um eu)
cuida
do(não to
que)ou
desaparec
erá semru
ído(na doce
terra)&
ninguém
(inclusive nós
mesmos)
relem
brará
(por uma fra
ção de
um mo
mento) onde
o que como
quando
por que qual
quem
(ou qualquer coisa)
(Trad. de Augusto de Campos)
A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
quinta-feira, novembro 22, 2007
quarta-feira, novembro 21, 2007
Poema para o amor
Vieram fazer ninho. Nos teus braços
acenava uma janela
por isso vieram fazer ninho.
O primeiro pássaro, pesando no ar
como a luz do outono
depois o segundo com os olhos de azul
como se a fevereiro não restasse
outra cor senão a luz.
Vieram a gosto, para refrescar a solidão
que é uma taça de cristal
de silêncios
são os filhos que vieram
fazer ninho
na alegria mais alta do teu rosto.
acenava uma janela
por isso vieram fazer ninho.
O primeiro pássaro, pesando no ar
como a luz do outono
depois o segundo com os olhos de azul
como se a fevereiro não restasse
outra cor senão a luz.
Vieram a gosto, para refrescar a solidão
que é uma taça de cristal
de silêncios
são os filhos que vieram
fazer ninho
na alegria mais alta do teu rosto.
sábado, novembro 17, 2007
"Trozo de Piel", poemas de Pablo Picasso

Gritos de meninos gritos de mulheres gritos de
pássaros gritos de flores gritos de madeiras e
de pedras gritos de ladrilhos gritos de
móveis de camas de cadeiras de cortinas de
caçarolas de gatos e de papéis gritos de aromas
que se arranham gritos de fumo…
(15-18 de Junho de 1937)
(Trad. de JTParreira)
A escrita poética de Picasso não foi alheia aos conflitos (Guerra Civil de Espanha e II Guerra Mundial) marcada pelo medo e pelas ameaças que desvalorizaram o homem perante os animais.
Na figuração e dissociação dos elementos que formaram Guernica, a chacina e destruição da cidade sagrada dos Bascos, por exemplo. E uma amostra disso é este texto do livro de poemas, Trozo de Piel, marcado por um pendor expressionista.
#
Bom fim de semana.
sexta-feira, novembro 16, 2007
Miguel Torga, evocação do Centenário
Associando-se à evocação do Centenário do nascimento do poeta, o Grupo Poético de Aveiro promove um recital de poesia no dia 23 de Novembro, sexta-feira, pelas 21h45m, na Biblioteca Municipal de Aveiro.
Além de diversas leituras, a cargo de vários elementos do Grupo, do evento fará parte uma comunicação: Miguel Torga pelo Prof. Doutor António Manuel Ferreira, docente da Universidade de Aveiro.
Além de diversas leituras, a cargo de vários elementos do Grupo, do evento fará parte uma comunicação: Miguel Torga pelo Prof. Doutor António Manuel Ferreira, docente da Universidade de Aveiro.
segunda-feira, novembro 12, 2007
Rua Carvalho Araújo-Revisitada

Stand in the dark light in the dark street
Gregory Corso
Como um obelisco escuro de pé
na luz da rua às sombras encostado
procuro entrar na memória
de uma janela, vivi ali?
Soltava os meus olhos de cinco anos
para a rua em baixo
outra gente que anda lá não suspeita
de nada
como um mundo novo que foi para mim
aquele quarto.
8-11-2007
sábado, novembro 10, 2007
Revisitações

Poeta norte-americano, Gregory Corso (1930-2001)
Casa onde nasci
Fico de pé na luz escurecida da rua escura
olho para a minha janela, nasci ali.
Há luzes acesas, por lá outra gente move-se.
De gabardina, acendo a boca num cigarro,
um olho sob o chapéu, a mão engatilhada.
Atravesso a rua e entro no edifício.
As latas do lixo não escondem o mau cheiro.
Subo ao primeiro andar; Orelhas Sujas
dirige-me a navalha…
Eu apalpo-lhe todos os relógios furtados.
(Trad.J.T.Parreira)
Birthplace Revisited
(from Gasoline)
I stand in the dark light in the dark street
and look up at my window, I was born there.
The lights are on; other people are moving about.
I am with raincoat; cigarette in mouth,
hat over eye, hand on gat.
I cross the street and enter the building.
The garbage cans haven't stopped smelling.
I walk up the first flight; Dirty Ears
aims a knife at me...
I pump him full of lost watches.
(Gregory Corso)
quarta-feira, novembro 07, 2007
Alba
sábado, novembro 03, 2007
A árvore de Mondrian

No dia em que a árvore de Piet Mondrian
ficou do tamanho vermelho
dos seus ramos
o vento
emaranhado nos ramos tranquilos
Mondrian nos mostrou
o interior do nada.
(At day when the Piet Mondrian’s tree
was of the red size of the branches
the wind
entangled in the calm branches
Mondrian shows to us
the interior of nothing.)
In Literary Kicks and The Literature Network
sexta-feira, novembro 02, 2007
A 5ª frase ("venham mais cinco")
A Linha de Cabotagem (http://www.linhadecabotagem.blogspot.com) passou-me este desafio e a Helena Monteiro é credora de Arte e de Literatura:
As regras:
1.Pegue no livro mais próximo; 2.Abra na página 161 e procure a 5ª frase completa; 3.Transcreva-a na íntegra para o seu blogue; 4.Passe o desafio a mais cinco bloggers.
"Tal vez suponga el lector que ya es hora de que aparezca en el horizonte otra Montaña Deleitosa."
in "La Habitación Enorme", de e.e.cummings, pág.161, Espasa Galpe, 2004
Estava a trabalhar na tradução de um poema de cummings e tinha a meu lado este livro autobiográfico do poeta norte-americano.
www.romadevidro.blogspot.com
www.aluzdovoo.blogspot.com
reading-writing.myblog.it
www.ana-maria-costa.blogspot.com
www.atmo-sphera.blogspot.com
As regras:
1.Pegue no livro mais próximo; 2.Abra na página 161 e procure a 5ª frase completa; 3.Transcreva-a na íntegra para o seu blogue; 4.Passe o desafio a mais cinco bloggers.
"Tal vez suponga el lector que ya es hora de que aparezca en el horizonte otra Montaña Deleitosa."
in "La Habitación Enorme", de e.e.cummings, pág.161, Espasa Galpe, 2004
Estava a trabalhar na tradução de um poema de cummings e tinha a meu lado este livro autobiográfico do poeta norte-americano.
www.romadevidro.blogspot.com
www.aluzdovoo.blogspot.com
reading-writing.myblog.it
www.ana-maria-costa.blogspot.com
www.atmo-sphera.blogspot.com
quinta-feira, novembro 01, 2007
Poema xiii

a máquina de escrever de e.e.cummings
platão disse
lhe: ele não podia
crer nisso(jesus
disse-lhe; também
não quis
crer)lao
tsé
certamente disse
lhe, e o general
(sim,
madame)
sherman;
e ainda
(acredite
ou
não) tu
disseste-lhe: eu disse
lhe; nós dissemos-lhe
(ele não acreditou, não
senhor) levou
com um bocado japonês
do antigo viaduto
da avenida
6ª; no topo da sua testa: para
ele crêr
Trad.J.T.Parreira
segunda-feira, outubro 29, 2007
Steinway & Sons
sexta-feira, outubro 26, 2007
Charles Bukowski
quarta-feira, outubro 24, 2007
segunda-feira, outubro 22, 2007
O Dono da Tabacaria

Foto de Luís Pavão
O Dono da Tabacaria vem à porta
para espreitar o mundo, seus olhos
procuraram no chão a rota incerta
à porta
como uma prestidigitação
surge e oculta-se
nos olhos de Pessoa
o seu universo reconstrói-se
em algum ponto infinito
pela janela do quarto
correm automóveis, transeuntes
velhos experientes
isoladamente sós cachorros
que fará quando o dia se apagar
nos vestígios do mundo nas janelas?
21/10/2007
quarta-feira, outubro 17, 2007
Expressionismo, uma profecia da bárbarie do Séc.XX

Nosferatu
«Quando Gregor Samsa acordou uma manhã, depois de um sonho agitado, achou-se transformado num gigantesco insecto.» ( para começar com um parágrafo definitivo de Kafka), foi o início de um pesadelo que representa uma alegoria. O escritor checo usou-a na novela A Metamorfose (1912) para explicar o absurdo da humanidade tão cheia de lógica, a dar os seus primeiros passos no idealismo do super-homem para as filosofias existenciais, mas que vê-se repentinamente transformada em qualquer coisa de mal, nos acontecimentos mundiais que a história europeia conhece desse tempo.
Nas primeiras duas décadas do Século XX, a angústia, a inquietude e a morbidez apoderaram-se da humanidade. E foi o Expressionismo Alemão que revelou esse estado de espírito, «profetizando» o mal que se iria abater sobre a Europa em particular e o Mundo de um modo geral.
Nas artes plásticas, como reacção à fase derradeira do Impressionismo (chamaram-lhe pós-Impressionismo), ergue-se na Alemanha uma ponte (Die Brucke) que liga aquele às novas correntes estéticas, mas que ao atingir o outro lado dessa ponte - o Expressionismo- corta quaisquer veleidades de um regresso. O novo movimento seria a arte do instinto, substituiria a impressão do momento causada de fora pelo sentimento nascido no interior, expressando-se patética, trágica e sombriamente, com uma técnica violenta.
A tela mais impressionante que antecipava esse período, pela angústia que demonstra, é, sem dúvida, O Grito (1906) do norueguês Edvard Munch. A violência profética do que haveria de ser o grito lancinante da Europa dos guetos e dos campos de concentração e extermínio nazis, dos bombardeamentos em massa, e - não o esqueçamos- dos Gulag estalinistas. Sobretudo, impossível de englobar em um só grito e de olvidar pela História, o trágico Holocausto, que aplicou a dizimação de milhões de judeus da Europa e explorou antes sua mão-de-obra escrava.
Mas, de um ponto de vista profético, o Expressionismo influenciou muito mais a poesia. Como sinal dessa identificação, havia sobretudo a crueza do verso, do verso militante que não procurava sustentar-se no lirismo, mas no descarnamento da realidade, uma poesia até ao osso.
Como nas obras de arte, o aspecto da deformação da realidade e a angústia existêncial do homem moderno estão patentes na poesia expressionista.
Poetas como Gottfried Benn, August Stramm, Georg Trakl, e uma poetisa Else Lasker-Schuler, para só citar os mais conhecidos, descreveram o caos de uma forma nua e crua, as palavras carregaram-se de angústia e no lugar das emoções expressaram as tensões e os tumultos da alma humana. Foram, de certa maneira, como alguém lhes chamou, «os poetas do grotesco».
Mas um dos poemas ardentemente radicais e proféticos, extravassando o desespero perante os indícios da realidade, que viria a chamar-se barbárie, veio de um poeta não tão notável quanto aqueles; Albert Ehrenstein -« Conservadas pelo frio, amontoam-se à volta do charco,\ Do lago do mundo dos mortos, \ As torres de cadáveres.». Nestes versos, o campo semântico remete para a guerra e prepara com a metáfora da mitografia da Barca de Caronte (o barco que transporta os mortos), o ambiente da catástrofe que seria a II Guerra Mundial e todo o horror dos campos de extermínio nazi. Este mesmo poeta descreveria, porventura sem nenhuma ligação ao quadro de Munch, o grito do Homem em versos como «Nós, os amordaçados, estamos envolvidos \ Por demónios, e brutalmente oprimidos», dum poema intitulado «Grito humano».
Todavia os grandes poetas desse movimento chamado Expressionismo, fariam associações mais grotescas da realidade com a metáfora, abrindo o tom lírico do verso à sensação selvagem, para que o verso sangrasse e provocasse até à dor.
Um excerto de um poema premonitório, «Berlim», pobre de metáforas, mas tão irónico como só Gottfried Been poderia escrever, é exemplar: «Quando arcos, pontes, erguidos,\ forem da estepe engolidos \ e o burgo areia escura \ e as casas desabitadas \ e as hordas e as armadas \ pisem nossa sepultura... \ hão-de as ruinas falar \ da grandeza do Ocidente ».
O futuro iria reservar à Europa uma reacção nova sobre a morte, a banalização da mesma. E assim o mesmo poeta, com uma morbidez irónica, anteciparia o que as SS e a Gestapo fariam perante a morte dos outros, ironizariam e comparariam seres humanos com piolhos. Um breve excerto do poema «Bela Infância» bastará: « A boca de uma rapariga que passara muito tempo no canavial estava tão roída.\ Quando lhe abriram o peito, o esófago estava todo esburacado \ Finalmente...\ encontrou-se um ninho de ratinhos. \ (...) \ Mas depressa tiveram também uma bela morte: \ Deitaram-nos todos à água. \ Ah, como os pequenos focinhos chiavam.»
O chamado «apocalipse alegre » da Europa de Strauss e Wagner, de Goethe e Heidegger, da primeira década, e da segunda e depois da terceira, foi vaticinado por outros poetas, como Georg Trakl, que não assistiu à «revelação» dos seus poemas sobre o desvario niilista do mundo, a hecatombe e a morte ( cometeria suicídio em 1914). «Vi-me num sonho de estrelas caindo,\ De preces chorosas num olhar ferido, \ De um sorriso que vinha ecoando - \ Mas não sabia entender-lhe o sentido. » Ou «Vi cidades pelo fogo consumidas \ E o cortejo de horrores pelo tempo fora, \ E muitos povos a pó ser reduzidos, \ Perder-se tudo nos fundos da memória » (do poema «Três sonhos»).
Tremendo entre estrelas e violinos, a nossa Europa das primeiras quatros décadas, foi-se afundando numa noite escura, que só o Julgamento de Nuremberga procurou, apenas com êxito judiciário, explicar.
sexta-feira, outubro 12, 2007
Como é teu nome
Ó mulher incompleta, amiga
Gioconda, teu sorriso estrangeiro
riscado nos lábios
nos desloca para o centro
do teu universo
Tuas mãos cruzadas
fora de ti, iluminam
a noite
Ó rosto pálido da aurora
onde os teus olhos já estão longe
de repente e o silêncio
como é teu nome esconde
e não diz nada.
11/10/2007
Gioconda, teu sorriso estrangeiro
riscado nos lábios
nos desloca para o centro
do teu universo
Tuas mãos cruzadas
fora de ti, iluminam
a noite
Ó rosto pálido da aurora
onde os teus olhos já estão longe
de repente e o silêncio
como é teu nome esconde
e não diz nada.
11/10/2007
quinta-feira, outubro 11, 2007
The Announcement of the 2007 Nobel Prize in Literature

DORIS LESSING(1919)
Aristóteles definiu a Poesia(contra a História) como a narrativa do que poderia acontecer. A Academia Sueca do Nobel privilegiou(?!), este ano, uma espécie de poética do Espaço, a ficção científica. Mas também coisas aqui debaixo:tensões inter-raciais, a violência contra as crianças, os movimentos feministas...
quarta-feira, outubro 10, 2007
Senhor Lázaro
Dying / Is an art, like everything else.
Sylvia Plath
Está sentado na porta ancestral
De onde seus olhos
Comem os sonhos de pobre
Não podem saltar
No mundo
As suas pernas
Os seus olhos
Cansados
Lêem o Livro de Job.
Sylvia Plath
Está sentado na porta ancestral
De onde seus olhos
Comem os sonhos de pobre
Não podem saltar
No mundo
As suas pernas
Os seus olhos
Cansados
Lêem o Livro de Job.
segunda-feira, outubro 08, 2007
Um cigarro
No smoke without you, my fire.
Edwin Morgan
Não fumarei contigo
o meu pulmão.
Nem deixarei que parta
dos meus lábios
para a fadiga
interior, a morte.
Não há fogo sem ti,
obscura cinza.
Não fumarei contigo
o meu fogo,
que se esvairá
em fumo.
Não somarei as cinzas
ao meu corpo.
6/10/2007
Edwin Morgan
Não fumarei contigo
o meu pulmão.
Nem deixarei que parta
dos meus lábios
para a fadiga
interior, a morte.
Não há fogo sem ti,
obscura cinza.
Não fumarei contigo
o meu fogo,
que se esvairá
em fumo.
Não somarei as cinzas
ao meu corpo.
6/10/2007
sábado, outubro 06, 2007
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