Ó mulher incompleta, amiga
Gioconda, teu sorriso estrangeiro
riscado nos lábios
nos desloca para o centro
do teu universo
Tuas mãos cruzadas
fora de ti, iluminam
a noite
Ó rosto pálido da aurora
onde os teus olhos já estão longe
de repente e o silêncio
como é teu nome esconde
e não diz nada.
11/10/2007
A Poesia é o assunto do Poema - Wallace Stevens . Este Blog não respeita o Acordo Ortográfico.
sexta-feira, outubro 12, 2007
quinta-feira, outubro 11, 2007
The Announcement of the 2007 Nobel Prize in Literature

DORIS LESSING(1919)
Aristóteles definiu a Poesia(contra a História) como a narrativa do que poderia acontecer. A Academia Sueca do Nobel privilegiou(?!), este ano, uma espécie de poética do Espaço, a ficção científica. Mas também coisas aqui debaixo:tensões inter-raciais, a violência contra as crianças, os movimentos feministas...
quarta-feira, outubro 10, 2007
Senhor Lázaro
Dying / Is an art, like everything else.
Sylvia Plath
Está sentado na porta ancestral
De onde seus olhos
Comem os sonhos de pobre
Não podem saltar
No mundo
As suas pernas
Os seus olhos
Cansados
Lêem o Livro de Job.
Sylvia Plath
Está sentado na porta ancestral
De onde seus olhos
Comem os sonhos de pobre
Não podem saltar
No mundo
As suas pernas
Os seus olhos
Cansados
Lêem o Livro de Job.
segunda-feira, outubro 08, 2007
Um cigarro
No smoke without you, my fire.
Edwin Morgan
Não fumarei contigo
o meu pulmão.
Nem deixarei que parta
dos meus lábios
para a fadiga
interior, a morte.
Não há fogo sem ti,
obscura cinza.
Não fumarei contigo
o meu fogo,
que se esvairá
em fumo.
Não somarei as cinzas
ao meu corpo.
6/10/2007
Edwin Morgan
Não fumarei contigo
o meu pulmão.
Nem deixarei que parta
dos meus lábios
para a fadiga
interior, a morte.
Não há fogo sem ti,
obscura cinza.
Não fumarei contigo
o meu fogo,
que se esvairá
em fumo.
Não somarei as cinzas
ao meu corpo.
6/10/2007
sábado, outubro 06, 2007
quinta-feira, outubro 04, 2007
Jackson Pollock no soalho
quarta-feira, outubro 03, 2007
Museo del Prado

Os nossos olhos dão o alarme
seria útil ter no bolso
a quarta dimensão
para ouvir tudo o que dizem
através dos séculos
as estátuas e os quadros
as Meninas fechadas
por Velázquez, em vão
esperamos a forquilha
do vento
na carroça de feno
de Hieronymus
alheios a nós próprios
isso passa
reflectido nos espelhos
e enterramo-nos
no Museu até à sonolência
que desce às nossas pernas.
segunda-feira, outubro 01, 2007
Escrita fonética? Alfabeto fonético?

Caldo brasileiro segundo Oswald
Entre indiferente e devoto
devoras a fala Mantiqueira
em pratos franceses.
Le pied de la lettre:
Sissou brrasileiro nulô
Como feijom tropeirrô:
Sissou preto como prreto
Sissou branco como brranco
Sissou branco como prreto.
E o porquinho, coitado,
Espedaça-se no caldo...
(André Merez)
quinta-feira, setembro 27, 2007
Babel
terça-feira, setembro 25, 2007
Ópera na Rua em Nova Iorque
quinta-feira, setembro 20, 2007
Esquecimento
Um dia esquecerão o queixo
submerso na barba,
outro dia a distância
entre as lentes sujas
dos óculos e os olhos,
mais tarde
os olhos sem ninguém.
A seguir a um dia de sol
falarão do vento,
que já não arrasava os cabelos;
depois, que os poemas
devem estar por aí, desiguais
silenciados,
noutro dia
um perfume alheio
fará dúvidas se era esse.
Ao nome, num dia já distante,
começará a faltar um apelido,
nenhum morfema
tomará nosso lugar.
20/9/2007
submerso na barba,
outro dia a distância
entre as lentes sujas
dos óculos e os olhos,
mais tarde
os olhos sem ninguém.
A seguir a um dia de sol
falarão do vento,
que já não arrasava os cabelos;
depois, que os poemas
devem estar por aí, desiguais
silenciados,
noutro dia
um perfume alheio
fará dúvidas se era esse.
Ao nome, num dia já distante,
começará a faltar um apelido,
nenhum morfema
tomará nosso lugar.
20/9/2007
quarta-feira, setembro 19, 2007
Desaparecido
Sempre que leio nos jornais:
«De casa de seus pais desapar'ceu...»
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.
Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem
Pudesse ser o próprio arrais.
Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas, desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.
Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
-Livre o instinto, em vez de coagido.
«De casa de seus pais desapar'ceu...»
Eu, o feliz desapar'cido!
(Carlos Queiroz)
«De casa de seus pais desapar'ceu...»
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.
Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem
Pudesse ser o próprio arrais.
Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas, desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.
Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
-Livre o instinto, em vez de coagido.
«De casa de seus pais desapar'ceu...»
Eu, o feliz desapar'cido!
(Carlos Queiroz)
terça-feira, setembro 18, 2007
O Tempo que passou

3ªEdição, 1957
«OPINIÃO SOBRE «DESAPARECIDO», DE CARLOS QUEIROZ»
«Não se pode dizer deste livro o que é vulgar dizer-se, elogiosamente, de um primeiro livro, sobretudo de um jovem:- que é uma bela promessa.O livro de Carlos Queiroz não é uma promessa, porque é uma realização.(...)Pertence ao mais íntimo da probidade literária e artística o não se apresentar ao público sem ter plena consciência de que na obra apresentada está tudo quanto em nós haja de forte.»
Fernando Pessoa
# Amanhã, publica-se aqui o poema-chave deste livro: Desaparecido
sexta-feira, setembro 14, 2007
Edmond Jabès, poeta egípcio-judeu

Poema
Deixei uma terra que não era a minha
por outra à qual também não pertenço.
Refugiei-me num vocábulo de nanquim,
e tenho o livro como espaço;
palavra de lugar nenhum, obscura fala do
deserto.
Não me cobri durante a noite.
Nem mesmo tentei me proteger do sol.
Andei nu.
De onde eu vinha, não fazia mais sentido;
Aonde eu ia não incomodava ninguém.
Vento, digo-lhes, vento.
E um pouco de areia no vento.
(Tradução de C.M)
sábado, setembro 08, 2007
As raparigas da Calle d'Avignon

Tal como Picasso o fez, os olhos
maiores do que a cabeça, estendendo
os corpos primitivos,
as Demoiselles para o espectador,
eu vi isso com minha mulher
no verão de 1991,
em Nova Iorque suspensa
na humidade do calor,
animada e intacta numa sucessiva onda
de ar, a alma
das raparigas da Calle d’Avignon
a fundar-se a si mesma.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Luciano Pavarotti, 1935-2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
Alberto de Lacerda( 1928-2007)
domingo, setembro 02, 2007
O Tempo que passou
Subscrever:
Mensagens (Atom)



