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terça-feira, dezembro 27, 2011

Uma Sopa dos Pobres

Calçou os pés com dois buracos
sentia o veludo da chuva
ao caminhar nas ruas
levantou a gola envergonhada
do velho casaco
esperava qualquer dia adormecer
no céu, mas agora tinha de ir
sob a sombra que caía das janelas
buscar a caridade
da sopa dessa noite, buscar calor
para estar diante das estrelas.

27/12/2011

quinta-feira, outubro 01, 2009

O Comboio

Os viajantes falam e a conversa
rola ao ritmo dos carris
Contam vidas
Oferecem olhares
e sandes para o lado
Pode até surgir o amor
numa carruagem de comboio
Há tantos segredos tão próximos
O movimento provoca
coincidências com outros corpos.

26/9/2009
Publicado ineditamente em A Ovelha Perdida

terça-feira, setembro 29, 2009

Rotinas

Vai para o emprego às oito
dentro de um perfume e do corpo
do vestido com o cheiro do café

Todos os dias
a boca do fogão
conhece o mesmo lume

Senta-se na frescura da manhã .
que entra pelas janelas do transporte

Conduz o sangue e a adrenalina
que começam como uma força
no trânsito, sempre o mesmo
o emprego e alguns sonhos.

28/9/2009


Nota crítica in bbde.org:
"Como de costume, belo e certeiro nas palavras escolhidas. Em poucas frases resume cirurgicamente o que significa a repetição dos mesmos gestos todos os dias, ao acordar."

domingo, outubro 05, 2008

Homeless

meu ninho. o teci-
do d'avenida Epitácio. fi-
o de pára-choques.
paralele-
pí-
pedos. pedaços de
papel e placas.

(Daniel Sampaio de Azevedo, 1983-)

in Antologia de Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milénio

sábado, outubro 04, 2008

Uma menina cega na paragem do autocarro

Dentro da pedra de obsidiana preta
tudo se ilumina

O autocarro – dizem as vozes simples-
vem
do fundo da avenida

As vozes dentro de cristais
chegam à menina ternamente
com medo de partir
a sua noite de pedra.

3/10/2008